A ciência não nega DEUS
A CRIAÇÃO NÃO EXCLUI A EVOLUÇÃO, NEM O CONTRÁRIO
SÃO PAULO, quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- O aniversário dos 200 anos do nascimento de Charles Darwin fez aparecer na opinião pública uma polémica entre criacionismo e evolucionismo, vistos muitas vezes como opostos e excludentes, quando não é assim, afirma o arcebispo de São Paulo.«A criação não exclui a evolução, nem o contrário», destaca o cardeal Odilo Scherer, em artigo publicado na edição desta semana do jornal arquidiocesano «O São Paulo».
Segundo o arcebispo, «a evolução é um facto evidente e não pode ser posta em dúvida; porém, se ela explica como as coisas se diferenciam e mudam, por diversos factores, ela, contudo, não explica a origem absoluta dessas coisas».
«É um facto que somente evolui e se transforma aquilo que já existe. Donde, ou de quem cada ser recebeu a existência e a ordem interna para ser aquilo que é, e não outra coisa?»
«Do nada? – prossegue Dom Odilo –. Do nada, nada surge, a não ser que algum agente "crie", isto é, dê origem, tire do nada e faça existir algo. O acaso poderia ser este factor determinante? Como seria inteligente este acaso! A teoria do acaso é absurda. É melhor crer em Deus criador, isso não é absurdo.»
O arcebispo afirma que a evolução «explica "como" as coisas chegaram a ser aquilo que são, mas não explica o facto mesmo da existência das coisas, nem sua ordem interna e seu significado».
De acordo com Dom Odilo, também a hipótese da "explosão inicial" (Big bang), para explicar a origem do universo, «poderia ser apenas uma explicação parcial».«É preciso explicar como passou a existir anteriormente um "algo", que pudesse explodir; e explicar também a existência de uma lógica maravilhosa na origem do universo, que foi capaz de organizá-lo e de torná-lo a maravilha que ele é, em vez de ser o caos infinito e permanente.»
Decididamente – prossegue o cardeal Scherer –, a evolução «também não explica a própria existência do universo».
«Mas ela, como a ciência no seu todo, procura explicar "como" as coisas existem, são feitas, funcionam e interagem. E nisso não precisam estar contra a fé em Deus; nem precisa a fé em Deus negar a ciência. O verdadeiro cientista também pode ser profundamente religioso», afirma.
Dom Odilo explica que neste debate ressurge a questão antiga da relação entre fé e razão, entre ciência e religião.
«Trata-se de duas formas diversas de aproximação da realidade: a razão requer argumentos controlados por ela e convincentes para ela mesma; daí decorre o conhecimento científico moderno, que submete tudo ao seu método próprio e verifica a possibilidade de comprovar, com instrumentos que lhe são próprios, as afirmações sobre as realidades deste mundo.»
«Aquilo que o método científico não verifica e comprova, também não pode ser afirmado pela ciência; mas seria falso concluir logo: portanto não existe. A realidade existente é maior que o método e nem tudo cabe dentro dos limites que o método científico impõe a si mesmo», explica.
De sua parte, o conhecimento pela fé «faz afirmações baseando-se na revelação divina e vai além daquilo que a ciência pode controlar. A fé não é contra a ciência, mas vai além da ciência».
«Não é preciso abandonar a fé em Deus criador para aceitar o facto da evolução, que faz parte da sabedoria criadora de Deus; é um dinamismo interno nas coisas, que faz com que o mundo não seja estático e morto, mas cheio de vitalidade, esperança e futuro», afirma o arcebispo.
Fonte: zenit.org
11 de FEVEREIRO, DIA MUNDIAL DO DOENTE
Domingo 8 de Fevereiro, durante a oração do Angelus
CIDADE DO VATICANO, domingo, 8 de Fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- Oferecemos a seguir a intervenção do Papa Bento XVI durante a oração do Angelus, no Domingo 8 de Fevereiro, junto aos fiéis congregados na Praça de São Pedro.
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Queridos irmãos e irmãs,
Hoje o Evangelho (Cfr. Mc 1,29-39) – em estreita continuidade com o domingo passado – nos apresenta Jesus, que, após ter pregado no sábado na sinagoga de Cafarnaum, curou muitos enfermos, começando pela sogra de Simão. Entrou em sua casa, encontrou-a na cama com febre e, em seguida, tomando-a pela mão, curou-a e a fez levantar-se. Depois do pôr do sol, curou uma multidão de pessoas afligidas por males de todo tipo. A experiência da cura dos enfermos ocupou boa parte da missão pública de Cristo e nos convida uma vez mais a reflectir sobre o sentido e o valor da enfermidade em toda situação em que possa encontrar-se o ser humano. Esta oportunidade nos vem oferecida também pelo Dia Mundial do Doente, que celebraremos na próxima quarta-feira, 11 de Fevereiro, memória litúrgica da Beata Virgem Maria de Lurdes.Apesar da enfermidade formar parte da existência humana, nunca conseguimos habituar-nos a ela, não só porque às vezes chega a ser pesada e grave, mas essencialmente porque estamos feitos para a vida, para a vida completa. Justamente nosso «instinto interior» nos faz pensar em Deus como plenitude de vida, e mais, como Vida eterna e perfeita. Quando somos provados pelo mal e nossas orações parecem resultar vãs, surgem em nós a dúvida e, angustiados, nos perguntamos: qual é a vontade de Deus? É precisamente a esta pergunta que encontramos respostas no Evangelho. Por exemplo, na passagem de hoje lemos que «Ele curou muitos que estavam oprimidos de diversas doenças, e expulsou muitos demónios. Não lhes permitia falar, porque o conheciam» (Mc 1, 34); em outra passagem de São Mateus se diz que «Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, curando todas as doenças e enfermidades entre o povo» (Mt 4, 23). Jesus não deixa dúvidas: Deus – do qual Ele mesmo revelou seu rosto – é o Deus da vida, que nos livra de todo mal. Os sinais deste poder seu de amor são as curas que realiza: demonstra assim que o Reino de Deus está perto restituindo os homens e mulheres a sua plena integridade de espírito e de corpo. Digo que estas curas são sinais: guiam para a mensagem de Cristo, nos guiam para Deus e nos dão a entender que na verdade a mais profunda enfermidade do homem é a ausência de Deus, da fonte da verdade e do amor. E só a reconciliação com Deus pode dar-nos a verdadeira cura, a verdadeira vida, porque uma vida sem amor e sem verdade não seria verdadeira cura, a verdadeira vida. O Reino de Deus é precisamente a presença de verdade e de amor, e assim é cura no profundo de nosso ser.
Graças à acção do Espírito Santo, a obra de Jesus se prolonga na missão da Igreja. Mediante os Sacramentos é Cristo quem comunica sua vida à multidão de irmãos e irmãs, enquanto cura e conforta inumeráveis enfermos através das tantas actividades de assistência à saúde que as comunidades cristãs promovem com caridade fraterna mostrando assim o rosto de Deus, seu amor. É verdade: quantos cristãos – sacerdotes, religiosos e leigos – emprestaram e querem continuar a emprestar em todas as partes do mundo suas mãos, seus olhos e seus corações a Cristo, verdadeiro médico dos corpos e das almas! Oremos por todos os enfermos, especialmente pelos mais graves, que não podem de nenhuma forma prover a si mesmos, mas que dependem totalmente dos cuidados de outros; que cada um deles possa experimentar, na solicitude de quem está perto, o poder do amor de Deus e a riqueza de sua graça que nos salva. Maria, saúde dos enfermos, rogai por nós.Fonte: zenit.org
CLARIFICAÇÃO SOBRE A PROJECTADA NOTA PASTORAL DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL PORTUGUESA EM FAVOR DO GENUÍNO CASAMENTO
Dadas algumas interpretações desfocadas de certos órgãos de comunicação social, sobre afirmações feitas na conferência de imprensa que se seguiu à dita reunião, desejo fazer os seguintes esclarecimentos:
1. A Igreja Católica em Portugal e, muito particularmente, os seus Bispos, deseja colaborar activamente, dentro do seu âmbito e especificidade, na construção de uma sociedade livre e democrática, no respeito das múltiplas diversidades, procurando a inclusão de todos, sem descriminar ninguém, por qualquer razão que seja: social, religiosa, cultural ou de género, acolhendo fraternalmente também os homossexuais.
2. Recordamos que o casamento entre um homem e uma mulher, e a consequente família, é uma instituição anterior à criação dos próprios Estados e aos seus ordenamentos jurídicos, que estes devem respeitar e promover. A verdade da vida humana assenta na complementaridade do homem e da mulher e o casamento, por definição e estrutura essencial, assenta sobre a heterossexualidade.
3. Qualquer iniciativa que um Estado ache por bem implementar para conceder direitos a um grupo humano que se constitui, por razões de amizade e ajuda, deverá ter um enquadramento jurídico claramente distinto do casamento e da família. Esta possível equiparação seria um erro antropológico com consequências graves para a estabilidade e consolidação da célula fundamental da sociedade que é a família, constituída por uma mulher e um homem que se unem em amor perene, aberta aos filhos que dela porventura nascerem.
4. A Igreja move‑se em favor de causas e valores, nunca contra ninguém nem contra qualquer grupo ou partido que se oriente por um ideário divergente ou mesmo oposto. Assim, perante qualquer eleição no campo da política (e no ano de 2009 vamos ter três actos eleitorais em Portugal), a Igreja pede que os católicos votem na liberdade segundo a sua consciência, esclarecida pelos princípios e a moral cristãos. Além disso, a Igreja Católica quer ser sempre factor de coesão e unidade, por meio do diálogo e de todas as boas práticas da fraternidade, evitando sempre tudo o que seja desrespeito ou confrontação com os órgãos de soberania, partidos e outras forças sociais da Nação. A firmeza da Igreja em defender os princípios que estruturam a base da convivência humana tem por fim promover a qualidade do bem‑estar social, sempre numa atitude aberta e dialogante.
Lisboa, 11 de Fevereiro de 2009
P. Manuel Morujão
Porta‑voz da Conferência Episcopal Portuguesa
Fonte: BOLETIM INFORMATIVO DO SANTUÁRIO DE FÁTIMA, 11 de Fevereiro de 2009, 16h30
Recolha de António Ferreira
CRISE: CÁRITAS PORTUGUESA PEDE ATENÇÃO ÀS FAMÍLIAS E AO EMPREGO
Em comunicado da Comissão Permanente do organismo, divulgado nesse sábado, afirma-se que, além dos trabalhos de revitalização da economia, «não se podem esquecer as preocupações concretas e quotidianas das famílias atingidas pela crise».A Cáritas pede também «o apoio às pequenas e médias empresas, pois nelas reside o verdadeiro fortalecimento do tecido económico».
Além disso, «é ainda da mais elementar justiça apoiar todos aqueles e aquelas que por perda de emprego ou por endividamento excessivo vivem no desespero, muitos deles e delas vítimas de uma cultura consumista desregulada que promove o ter em detrimento do ser».
Outro motivo de preocupação e mais um indicador da gravidade desta crise, segundo a Cáritas, «é a falência da classe média que contribuiu para o recrudescimento da designada "pobreza envergonhada"».
«São cada vez mais as famílias desta classe social que recorrem à ajuda fraterna das comunidades cristãs e de outras instituições, encontrando aí as respostas possíveis às suas mais elementares necessidades».
A Cáritas pediu ainda «todo o empenho na criação e manutenção de emprego, não excluindo o apoio aos que, o tendo perdido, possam criar o seu próprio posto de trabalho».
«Mas é preciso ir mais longe», afirma o organismo. «É preciso que todos se apercebam que esta crise teve origem no homem que fez da ganância a sua cartilha de valores, no egoísmo que só se satisfaz na busca da riqueza, na aquisição de bens supérfluos, na vida superficial, sem valores espirituais nem solidariedade».
«Para a superação da crise, a Cáritas reafirma que hoje, como sempre aconteceu, continuará presente, em cada diocese, em cada paróquia, junto de todos os homens e mulheres de boa vontade, para ajudar todos os que estão verdadeiramente empenhados em construir uma sociedade mais humana e mais justa.»«É preciso que todos nos mantenhamos vigilantes e empenhados na superação da crise. A própria Democracia o exige. Mas porque os tempos são tão preocupantes, é preciso que haja uma resposta solidária e invulgarmente forte. É nos momentos mais difíceis que se vê a verdadeira alma de um Povo», afirma o organismo.
Fonte: zenit.org
Vittorio Messori, história de uma conversão
Uma vida para dar razão da fé
ROMA, quinta-feira, 27 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- História singular a do escritor Vittorio Messori. Autor de best-sellers, com milhões de exemplares vendidos em todo o mundo. Único autor que publicou um livro-entrevista com o Papa João Paulo II («Cruzando o limiar da esperança») e entrevistou o cardeal Joseph Ratzinger («Informe sobre a Fé»), que depois chegaria a ser Papa.
Somente «Cruzando o limiar da esperança» vendeu mais de 20 milhões de exemplares e foi traduzido a 53 idiomas.
E, contudo, até os 23 anos Messori não era nada católico. A família era agnóstica, e mais, anti-clerical. Foi criado e educado em uma cultura racionalista, indiferente ao mistério religioso e hostil à idéia de que Deus pudesse existir. Como estudante universitário, foi discípulo de professores do laicismo, como Norberto Bobbio e Galante Garrone. Logo passaria a ser jornalista no jornal La Stampa.
Era o verão de 1964, em Turim, quando já se entreviam os primeiros sinais do iminente maio de 1968, com os estudantes universitários que se alimentavam de Sigmund Freud, Karl Marx, Wilhelm Reich, o mundo católico se debatia nos problemas do pós-concílio Vaticano II. Neste contexto, Messori encontrou o Cristo que lhe mudou a vida.
A história do filho de um carpinteiro de Nazaré que dizia ser o Filho de Deus e que morreu inocente na cruz entrou tão profundamente na vida deste estudante universitário, que o primeiro livro que publicou, «Hipóteses sobre Jesus», converteu-se em um best-seller internacional.
Quem conta a conversão, as vivências, as experiências, os pensamentos de um católico que não atende a bagatelas, apologético com razão, sólido e realista, é o vaticanista Andrea Tornielli, que entrevistou Vittorio Messori, no livro publicado agora em italiano com o título «Por que creio. Uma vida para dar razão da fé» («Perché credo. Una vita per rendere ragione della fede», editora Piemme).
Neste diálogo austero e essencial, Messori relata que ninguém acreditava no êxito de «Hipóteses sobre Jesus». Muitos procuravam convencê-lo de que fizesse outra coisa. Os anti-clericais se mostraram hostis, mas também havia católicos ascéticos.
Os religiosos da editora «Sei», seus primeiros editores, estavam seguros de que o livro seria um fracasso editorial e por isso o mantiveram em uma gaveta durante mais de um ano e, na primeira edição, imprimiram só três mil exemplares.
Hoje, aquele livro superou um milhão de exemplares vendidos, foi traduzido a mais de 30 e apesar de que foi escrito a meados dos anos setenta, continua vendendo ainda mais de 20 mil exemplares por ano.
Messori explica, contudo, que o mérito não é seu, é Cristo quem continua interrogando a humanidade.
Um Cristo que continua provocando a discussão, como demonstra a recente falha de um juiz em Valladolid, Espanha, contra os crucifixos nas salas do colégio público Macías Picavea.
«Não me escandalizo nem rasgo as vestes pelo que aconteceu na Espanha – comenta Vittorio Messori à Zenit –, porque estou convencido de que um pouco de dificuldade e de hostilidade faz bem ao cristianismo, desperta e faz tomar consciência da própria identidade.»
«A história ensina: as perseguições foram oportunidades para que os cristãos se multiplicassem», explica.
Na introdução ao livro, Tornielli precisa que Messori «escreveu o livro que não encontrava».
Messori não procurava «análises sobre a sociedade, sobre a pobreza material e sobre suas causas, sobre o compromisso político e social dos católicos, sobre a aplicação das ciências humanas ao cristianismo».
O escritor convertido buscava respostas às perguntas: «O que há de verdade nesta história, neste relato do qual, há dois mil anos, se continua ouvindo o eco no mundo? Jesus Cristo é de verdade o Filho de Deus? Ele é realmente o Messias esperado por Israel, anunciado pelas profecias? E, sobretudo, ressuscitou mesmo?
Mas antes que mais nada, Messori buscava certezas sobre a historicidade daquele homem, vindo ao mundo em uma aldeia perdida do Império Romano, que mudou a história da humanidade com a revolução do amor caritativo.
No livro, Messori relata sua conversão, que foi precedida por um fato extraordinário, uma ligação de um tio materno que morreu jovem por um ictus cerebral. O escritor é pessoa racional e está seguro de que não sonhou nem sofreu alucinações.
Depois, em julho e agosto de 1964, enquanto trabalhava na central da então companhia telefônica Stipel, encontrou por acaso um exemplar dos Evangelhos. Lendo-o avidamente, aconteceu um fenômeno que Messori descreve como uma «luz de repente», um «encontro misterioso», quase físico, com Jesus.
O conhecido escritor se descreve como um «emiliano terráqueo» [da região italiana Emilia e com os pés na terra, N. do T.], sem vocação para a vida mística e ascética, e contudo narra que naqueles dois meses viveu «em uma experiência mística», que jamais teria imaginado nem pensado conhecer. Uma situação de luz plena «com a clareza de ter visto a Verdade, com toda sua força e evidência». Verdade que «me foi mostrada sem que o esperasse ou o merecesse».
Na introdução, Tornielli sustenta que Vittorio Messori «é uma figura atípica no panorama eclesial e cultural de hoje. Não tem papas na língua, nem fala o 'eclesialês', a típica linguagem cheia de auto-referências, com freqüência estereotipada e tanto mais repetitiva quanto menos ligada à real experiência humana. E não lhe pode facilmente situar neste ou naquele alinhamento. Não é tradicionalista, não é um moralista nem um teocon».
Tornielli relata que Messori tem um só grande remorso: «Constatar cada dia que a 'conversão da mente' – que foi e é total – com muita freqüência não é acompanhada pela 'conversão do coração'. E que, portanto, deve unir-se ao lamento do 'seu' Blaise Pascal: 'Quanta distância há, em mim, cristão, entre o pensamento e a vida!'».
Fonte: Agência Zenit
Recolha de António Ferreira
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O PAPA: NECESSIDADE DE «NOVA SÍNTESE ENTRE CAPITAL E TRABALHO»
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- A crise económica exige encontrar uma nova relação entre capital e trabalho, considera Bento XVI, que afirma também que a conjuntura interpela também à Igreja.
O pontífice recebeu os dirigentes do sindicato por ocasião do 60º aniversário de sua fundação. A CISL surgiu em 1948 como uma excisão da Confederazione Italiana dei Lavoratori (CIL, fundado em 1918 como resposta à Rerum Novarum de Leão XIII).
Em seu discurso, Bento XVI afirmou que o mundo do trabalho é «a chave essencial» de toda a questão social, «porque condiciona o desenvolvimento, não só económico, mas também cultural e moral, das pessoas, das famílias, das comunidades e da humanidade inteira».
Citando João Paulo II, o Papa sublinhou que a Igreja «nunca deixou de considerar o problema do trabalho dentro de uma questão social que foi assumindo progressivamente dimensões mundiais».
A crise económica e social actual «está a afectar especialmente o mundo do trabalho» e requer «um esforço livre e responsável por parte de todos; ou seja, é necessário superar os interesses particulares e de sector, para enfrentar as dificuldades juntos e unidos».«Nunca como hoje se advertiu uma urgência semelhante», constatou.
Diante da actual crise, acrescentou o Papa, é necessário realizar um «apelo à solidariedade e à responsabilidade de todos», assim como trabalhar juntos. «As dificuldades que o mundo do trabalho atravessa impulsionam a uma organização específica e mais compacta entre todos os componentes da sociedade», acrescentou.
Neste sentido, insistiu no importante papel que devem desempenhar os sindicatos na hora de encontrar esta nova relação entre capital e trabalho, até o ponto de considerá-los «um elemento indispensável da vida social, especialmente nas modernas sociedades industrializadas».
«Desejo, portanto, que da actual crise mundial brote a vontade comum de dar vida a uma nova cultural da solidariedade e da participação responsável, condições indispensáveis para construirmos juntos o futuro do nosso planeta», acrescentou.
Sindicato para o trabalhador
O repassar a história da CISL, o Papa destacou o empenho histórico deste sindicato em «fundar sua actuação nos princípios da doutrina social da Igreja e na prática de um sindicalismo livre e autónomo de facções políticas e de partidos».
«No pleno respeito da legítima autonomia de toda instituição, a Igreja, especialista em humanidade, não se cansa de oferecer a contribuição de seu ensinamento e de sua experiência àqueles que pretendem servir a causa do homem, do trabalho e do progresso, da justiça social e da paz», acrescentou.
O Papa convidou os sindicalistas a renovarem «o entusiasmo do início e redescobrir ainda mais vosso carisma original».
«O mundo precisa de pessoas que se dediquem com desinteresse à causa do trabalho no respeito pleno à dignidade humana e do bem comum. A Igreja, que valoriza o papel fundamental dos sindicatos, está próxima de vós hoje como ontem, e está disposta a ajudar-vos, para que possais cumprir da melhor forma possível vosso dever na sociedade», afirmou.
Fonte: zenit.org
EUTANÁSIA NÃO É SOLUÇÃO, EXPLICA BENTO XVI
CIDADE DO VATICANO, domingo, 1º de Fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- O sofrimento não pode ser solucionado acabando com a vida de uma pessoa, isto é, com a eutanásia, explicou Bento XVI neste domingo. A resposta a quem sofre sempre deve ser o amor, esclareceu.
No dia em que a Igreja celebrava em vários países o Dia pela Vida, o Papa comentou, ao dirigir a oração mariana do Angelus, o tema escolhido para este dia pela Conferência Episcopal Italiana: «A força da vida no sofrimento. Uma resposta à tentação da eutanásia».Dirigindo-se aos milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro do Vaticano, o pontífice sublinhou a necessidade de ter «valor para dizer com clareza, por exemplo, que a eutanásia é uma falsa solução para o drama do sofrimento, uma solução que não é digna do homem».
«A verdadeira resposta não pode ser a de provocar a morte, por mais 'doce' que ela for, mas testemunhar o amor que ajuda a enfrentar a dor e a agonia de forma humana.»
Falando da janela de seus aposentos, o Papa garantiu: «Tenhamos certeza de uma coisa: nenhuma lágrima, nem de quem sofre, nem de quem lhe está próximo, se perde diante de Deus».
Segundo recordou. «Jesus sofre e morre na cruz por amor. Desse modo, Ele deu sentido ao nosso sofrimento, um sentido que muitos homens e mulheres de todas as épocas entenderam e tornaram seu, experimentando serenidade profunda também no amargor de duras provas físicas e morais».O Santo Padre pediu orações pelas «pessoas que estão em sofrimento e por quem se esforça todos os dias por seu sustento, servindo a vida em todas as suas fases: genitores, agentes da saúde, sacerdotes, religiosos, pesquisadores, voluntários e muitos outros».
Antes de se despedir dos presentes, o Papa cumprimentou e estimulou, em particular, os membros do Movimento pela Vida, as delegações das faculdades de Medicina e Cirurgia da Universidade de Roma, «e aqueles que estão comprometidos na defesa e na promoção do fundamental da vida».
Fonte: zenit.org
Uma origem da CRISE: Pensamento para 2009
IV CONGRESSO CNIS - PRESIDENTE DA REPÚBLICA CRITICA EM FÁTIMA A LEI DO DIVÓRCIO
O Presidente da República Portuguesa tece duras críticas à Lei do Divórcio actualmente vigente no país.
Cavaco Silva afirmou, esta tarde, em Fátima, que a Lei do Divórcio, aprovada em Abril de 2008 e que entrou em vigor no final do mesmo ano, se trata de uma lei causadora de novos casos de pobreza e, a propósito da mesma lei, manifestou a sua "perplexidade" quanto à forma como se legisla em Portugal.
"Dos contactos que tenho mantido com dirigentes de instituições de solidariedade, recolho a informação de que a maioria dos casos de 'novos pobres' está associada a situações de divórcio", revelou.
Recorde-se que por ocasião da promulgação presidencial da Lei, em Outubro de 2008, em uma mensagem publicada na página oficial da Presidência da República na Internet, Cavaco Silva, que havia vetado inicialmente esta lei a 20 de Agosto, referia que o diploma, incluindo as alterações introduzidas depois do veto à primeira versão, "padece de graves deficiências técnico-jurídicas" e iria introduzir, em sua opinião, "profunda injustiça", sobretudo para os mais vulneráveis, como são as "mulheres de mais fracos recursos e os filhos menores".
No Centro Pastoral Paulo VI, no momento inaugural do IV Congresso da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, falou sobre o novo tipo de pobreza em Portugal, agravada pelo desemprego e pelo sobre endividamento de muitas famílias.
Pediu especial atenção para com as crianças e os jovens, para que se reforce a atenção a esta camada da população, para que possa manter as suas condições de bem-estar.
" (É) o melhor que poderemos fazer pelo futuro do nosso país", disse.
Cavaco Silva destacou que, com esta nova realidade social, "é urgente mobilizar a força solidária dos portugueses" e, neste sentido, as organizações e instituições de solidariedade são "catalizadores" de iniciativas solidárias.
O Chefe de Estado português terminou o seu discurso com um apelo "por um Portugal mais justo e solidário".
Sob o lema "NOVOS CAMINHOS DA SOLIDARIEDADE", a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) está reunida em Fátima, nos dias 30 e 31 de Janeiro, em Assembleia Geral Extraordinária sob a forma de Congresso.
Todos os trabalhos decorrem no Centro Pastoral Paulo VI. http://www.cnis.pt/
Fonte: Sala de Imprensa do Santuário de Fátima
Recolha de António Ferreira
A Indisciplina nas Escolas
A indisciplina nas escolas (vista por F. Savater)
Especialistas reunidos em Espanha
Aumento da violência nas escolas reflecte crise de autoridade familiar
Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores.
Os participantes no encontro 'Família e Escola: um espaço de convivência', dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas.
'As crianças não encontram em casa a figura de autoridade', que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater.
'As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa', sublinhou.
Para Savater, os pais continuam 'a não querer assumir qualquer autoridade', preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos 'seja alegre' e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores.
No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, 'são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os', acusa..
'O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar', sublinha.
Há professores que são 'vítimas nas mãos dos alunos'.
Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que 'ao pagar uma escola' deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão 'psicologicamente esgotados' e que se transformam 'em autênticas vítimas nas mãos dos alunos'.
A liberdade, afirma, 'exige uma componente de disciplina' que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade.
'A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara', afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, 'uma oportunidade e um privilégio'.
'Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina', frisa Fernando Savater.
Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que 'têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos'.
'Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia', afirmou.
Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que 'mais vale dar uma palmada, no momento certo' do que permitir as situações que depois se criam.
Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres.
TELEGRAMA DO PAPA AO NOVO PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS
Honorável Barack Obama
Presidente dos Estados Unidos da América
Casa Branca
Washington, D.C.
Por ocasião de sua posse como o 44º presidente dos Estados Unidos da América, eu lhe ofereço meus mais cordiais bons desejos e lhe asseguro ao mesmo tempo minhas orações para que o Deus Todo Poderoso lhe conceda sabedoria e força indefectíveis no exercício de suas altas responsabilidades. Que sob seu mandato os americanos possam continuar a encontrar em sua impressionante herança religiosa e política os valores espirituais e princípios éticos para cooperar na construção de uma sociedade realmente livre e justa, marcada pelo respeito à dignidade, a igualdade e os direitos de cada um de seus membros, especialmente os pobres, os marginalizados e os que não têm voz. Em uma época em que muitos irmãos e irmãs nossos em todo o mundo clamam por sua libertação do flagelo da pobreza, da fome e da violência, rezo para que o senhor confirme sua resolução de promover a compreensão, a cooperação e a paz entre as nações, para que todos possam participar do banquete da vida que Deus preparou para toda a família humana (cf. Isaías 25, 6-7). Invoco de coração sobre o senhor, sua família e sobre todo o povo americano as bênçãos do Deus da alegria e da paz.Benedictus PP. XVI
Fonte: zenit.org
ENCONTRO MUNDIAL DAS FAMÍLIAS ENCERRAMENTO
O Papa reivindica os direitos da família ao encerrar o Encontro do México
Dirige-se pela televisão aos peregrinos congregados no Santuário de Guadalupe
CIDADE DO VATICANO, domingo, 18 de Janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI reivindicou os «direitos inalienáveis» da família ao encerrar neste domingo, com uma mensagem televisiva ao vivo, o VI Encontro Mundial das Famílias.
Escutaram as palavras do Papa os milhares de peregrinos que participaram da missa presidida por seu legado, o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, na explanada do Santuário da Virgem de Guadalupe.
O Papa, que havia seguido o evento pela televisão desde o palácio apostólico vaticano, reconheceu em sua mensagem dirigida em espanhol que «hoje mais que nunca se precisa do testemunho e do compromisso público de todos os baptizados, para reafirmar a dignidade e o valor único e insubstituível da família fundada no matrimónio de um homem com uma mulher e aberto à vida, assim como o da vida humana em todas as suas etapas».
«É preciso promover medidas legislativas e administrativas que sustentem as famílias em seus direitos inalienáveis, necessários para levar adiante sua extraordinária missão», considerou o Santo Padre.
Em sua mensagem, o Papa abriu o coração para assegurar que «os mexicanos sabem bem que estão muito perto do coração do Papa», provocando espontâneos aplausos entre quem o escutava desde a capela federal.
De fato, o Papa assegurou que, graças às novas tecnologias da comunicação, «peregrinei espiritualmente até esse Santuário Mariano, coração do México e de toda a América, para confiar a Nossa Senhora de Guadalupe todas as famílias do mundo».
O Santo Padre expressou sua proximidade e assegurou sua oração por todas as famílias em dificuldade, em particular às «que sofrem pela pobreza, a enfermidade, a marginalização ou a migração. E muito especialmente às famílias cristãs que são perseguidas por causa de sua fé».
Após anunciar que a sede do VII Encontro Mundial das Famílias será Milão em 2012, o pontífice concluiu sua homilia com uma oração dirigida à Virgem de Guadalupe, para confiar «todas as famílias do mundo».
«Se vê, se sente, o Papa está presente!», foi o coro com o qual responderam os peregrinos às palavras do Papa ao terminar o acto.
Renovação das promessas matrimoniais
Pouco antes do Credo, durante missa, os milhares de casais presentes renovaram as promessas que um dia pronunciaram ao contrair o sacramento, prometendo amar-se fielmente, no favorável e no adverso, «na saúde e na doença, todos os dias da vida».
Em seguida, apresentaram os anéis, que foram abençoados pelo cardeal Bertone, e depois colocaram uns nos outros, como haviam feito no dia de seu casamento.
O Encontro das Famílias havia começado em 14 de Janeiro com um Congresso Teológico Pastoral, que bateu recordes na história destes eventos, inaugurados por João Paulo II em 1994, pois contou com a participação de mais de dez mil congressistas.
Os actos finais multitudinários se celebraram na noite de sábado e na manhã deste domingo diante da Basílica de Guadalupe, com a participação de representantes de 98 países.
Fonte: zenit.org
Recolha de António Ferreira
Recolha de António Ferreira
PAPA DEFENDE BAPTISMO DE CRIANÇAS
Bento XVI defendeu este Domingo o Baptismo de crianças, prática habitual na Igreja Católica, considerando que o mesmo não é "uma violência" sobre os menores."Quando segundo a tradição cristã, como hoje fazemos, se baptizam as crianças introduzindo-as na luz de Deus e dos seus ensinamentos, não se lhes faz uma violência, mas é–lhes dada a riqueza da vida divina na qual se enraíza a verdadeira liberdade que é própria dos filhos de Deus; uma liberdade que deverá ser educada e formada com o amadurecer dos anos, para que se torne capaz de opções pessoais responsáveis", indicou.
O Papa falava na homilia da celebração eucarística durante a qual administrou o Sacramento do Baptismo a 13 crianças recém nascidas, na Capela Sixtina, durante a solenidade litúrgica do Baptismo do Senhor.
"Se com este sacramento o neo-baptizado se torna filho adoptivo de Deus, objecto do seu amor infinito que o tutela e defende das forças obscuras do maligno é necessário ensinar-lhe a reconhecer Deus como seu Pai e a saber relacionar-se com ele com atitude de filho" disse.
Aos pais e padrinhos, Bento XVI pediu que "não cesseis de agradecer ao Senhor que com este sacramento, introduz os vossos meninos numa nova família, maior e estável, mais aberta e numerosa do que a vossa: refiro-me à família dos crentes, à Igreja, uma família que tem Deus como Pai e na qual todos se reconhecem irmãos em Jesus Cristo".
"Confiai portanto os vossos filhos à bondade de Deus que é força de luz e de amor. Eles, embora no meio das dificuldades da vida, nunca se sentirão abandonados se a Ele permanecerem unidos", assegurou.
Antes, o Papa afirmara que os filhos "não são nem uma propriedade dos pais que se deve plasmar segundo os desejos e aspirações destes, nem alguém que deve ver satisfeitos todos os seus desejos, e crescer em plena autonomia segundo uma atitude considerada libertária".
"Preocupai-vos, portanto, em educá-los na fé, em ensinar-lhes a rezar e a crescer como fazia Jesus e com a sua ajuda em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens", indicou.
Fonte: Agencia Ecclesia(Com Rádio Vaticano)
FOTO: Lusa
ANO LITÚRGICO TEMPO COMUM
«Além dos tempos que têm um carácter próprio, ficam 33 ou 34 semanas, no decurso do ano, em que não se celebra algum aspecto peculiar do mistério de Cristo, mas recorda-se sobretudo o próprio mistério de Cristo na sua plenitude, principalmente aos domingos. Este período de tempo recebe o nome de Tempo Comum».«O Tempo Comum começa na segunda-feira a seguir ao Domingo que ocorre depois do dia 6 de Janeiro e prolonga-se até à terça-feira antes da Quaresma, inclusive; retoma-se na segunda-feira a seguir ao Domingo do Pentecostes e termina antes das Vésperas I do Domingo I do Advento» (NG 44; in EDREL 673-674).
O chamado Tempo Comum pode-se dizer que é uma novidade da reforma pós-conciliar. Antes, havia uma série de «domingos depois da Epifania» e outra série de «domingos depois do Pentecostes». Agora é uma única série com uma certa unidade, ao longo do ano. Sobretudo, há um elemento que lhe dá unidade: o Leccionário. O Leccionário dos Domingos, dividido em três ciclos anuais – A, B e C (com o «evangelista do ano») –, e o Ferial, em dois (anos Par e Ímpar). Esta leitura semicontinuada da Bíblia converte o Tempo Comum na melhor escola de fé para a comunidade cristã.
O nome «Tempo Comum» – em latim, «tempus per annum» («tempo durante o ano») – não parece muito feliz, pela fácil associação a tempo «pouco importante» ou «anódino», mas esta designação impôs-se como distinção dos chamados «tempos fortes», do *ciclo da Páscoa e do Natal, com a sua preparação (Quaresma e Advento) ou prolongamento («Tempo da Páscoa» e «Tempo do Natal»).
Mas o Tempo Comum tem a sua particular importância. Em rigor é o tempo mais antigo, na organização do Ano cristão – a sucessão dos domingos e das semanas, antes de terem surgido os vários ciclos –, e que, além disso, ocupa a maior parte do ano (trinta e três ou trinta e quatro semanas, das cinquenta e duas). Este tempo apresenta valores que não se podem esquecer: ajuda-nos a ir vivendo o mistério de Cristo na sua totalidade; acompanha-nos na tarefa de crescimento e maturação de tudo o que celebrámos no Natal e na Páscoa; põe em evidência a primazia do domingo cristão; oferece-nos a escola permanente da Palavra bíblica; e faz-nos descobrir a graça do comum: a vida quotidiana vivida também como tempo da salvação.
Fonte: www.agenciaecclesia.pt/Dicionarioelementardeliturgia
Últimas palavras de uma jovem
BATALHA GLOBAL A FAVOR DA FAMÍLIA PASSA PELO MÉXICO
CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Apesar do divórcio, do aborto e da eutanásia serem opções originalmente distantes da cultura mexicana, estão penetrando devido à pressão exterior. Por esse motivo, a Santa Sé atribui ao VI Encontro Mundial das Famílias, que acontece na capital do México, uma importância decisiva.O país, segundo do mundo em número de católicos, acolherá este evento convocado por Bento XVI de 14 a 18 de Janeiro. Espera-se um milhão de pessoas.
Nesta sexta-feira, aconteceu na Sala de Imprensa do Vaticano um encontro com a imprensa, dirigido pelo cardeal Ennio Antonelli, presidente do Conselho Pontifício para a Família, no qual se distribuiu um comunicado que responde a esta pergunta: «que estado de saúde atravessa a família hoje no México?».
A esta pergunta, a nota do Conselho vaticano responde: «a família no México, como em outras partes do mundo, está a atravessar hoje uma crise».
No ano 2006, a Cidade do México se converteu na segunda cidade da América Latina, depois de Buenos Aires, cuja legislação reconheceu as uniões administrativas de pessoas do mesmo sexo.
Em Agosto de 2008, a Justiça mexicana ratificou a lei que despenaliza o aborto até as 12 semanas de gestação na capital mexicana, algo que até esse momento era considerado inconstitucional por eminentes juristas.
«Contudo, se conservam ainda muitos valores: a unidade familiar continua acontecendo e sendo valorizada intensamente».
«As famílias, por exemplo, se reúnem frequentemente para celebrar os principais acontecimentos civis, religiosos e suas tradições e para buscar juntos soluções a seus problemas. A família é a principal instituição de ajuda e de solidariedade», declara.
«Aborto, divórcio, eutanásia, temas de bioética, ainda que estão afastados da cultura e da vida popular, estão penetrando também na mentalidade do povo mexicano», constata o Conselho vaticano.
«A família deve enfrentar hoje, com criatividade e com espírito propositivo, o desafio de uma cultura individualista e mercantilista, baseada na produção e no consumismo», acrescenta.
«Infelizmente, temos um conceito errado de liberdade, entendida como uma autonomia fechada em si mesma; privilegiam-se outras formas de convivência que ofuscam o valor da família, baseada no matrimónio de um homem e de uma mulher».
«Colocar-se ao serviço da transmissão da vida e da educação dos filhos se faz hoje muito difícil. Com esta mentalidade errada, muitas vezes se difundem – sem um amplo consenso social e sob o impulso de pequenos mas activos grupos de pressão fortemente ideologizados e de grandes recursos económicos – leis que permitem, com muita facilidade, o aborto, assim como o divórcio rápido e a eutanásia. Responder a estes desafios é uma obrigação moral, mas também difícil».
A Igreja, acrescenta, «está a realizar um grande esforço de evangelização para apoiar as famílias cristãs em seus valores, estimulando-as para empreender uma ampla estratégia de promoção de defesa da vida desde a concepção até a morte natural e dos direitos da família, inclusive no âmbito político, cultural, económico e social».
«Graças a Deus – conclui o comunicado distribuído aos jornalistas – nos últimos anos surgiram numerosas iniciativas, tanto eclesiais como civis, ao serviço da família: grupos, movimentos, associações ao serviço da pastoral familiar, institutos de formação em bioética, associações civis e redes que apoiam todo este trabalho».
Fonte: zenit.org
ANEL DA PUREZA
Por exemplo, o estudante paulistano Paulo Sérgio dos Santos, de 18 anos, fã dos irmãos americanos Kevin, Joe e Nick - os Jonas Brothers - resolveu adotar a idéia e afirma: "O anel é discreto, mas tem um significado especial. Sempre planejei me guardar para a mulher certa".O "anel da pureza" surgiu nos Estados Unidos, em 1994, na cidade de Baltimore, capital do estado de Maryland, Estados Unidos, com o programa "True Love Waits" (Quem ama, espera!) , que prega a abstinência sexual até o casamento.
O projeto percorre escolas e instituições ligadas à juventude; começou na Igreja Batista e depois foi adotado por diferentes crenças em mais 13 países. Segundo Jimmy Hester, coordenador do TLW, cerca de 3 milhões de jovens fazem parte do programa. "Esse é o número que temos documentado. Durante as palestras, alguns adolescentes assinam nosso acordo de adesão", diz. No início, a organização lançou uma pulseira de plástico para simbolizar a filosofia. Depois o acessório foi trocado por um pingente de prata, mas só ganhou popularidade com o "anel da pureza" - acessório que pode ser usado por meninas e meninos. "Não fabricamos mais a jóia. Atualmente há inúmeras instituições que as vendem e alguns jovens preferem desenvolver seu próprio anel", diz Hester.
O pacto que assumem diz o seguinte: "Acreditando que o verdadeiro amor espera, eu me comprometo diante de Deus, de mim mesma, minha família, meu namorado, meu futuro companheiro e meus futuros filhos a ser sexualmente pura até o dia em que entrar numa relação de casamento" (Jornal do Brasil, Ana Maria Mandin, 12/03/94).Nos Estados Unidos, o TLW é alvo de críticas, o que não é de se espantar num mundo onde o que tem valor é o "politicamente correto", muitas vezes imoral.
Alguns especialistas acreditam que estes jovens ainda não têm maturidade para optar pela abstinência. Mas o coordenador discorda. "Acredito que os críticos não dão crédito suficiente para a nossa juventude. Quando os moços são conscientizados sobre as conseqüências físicas, emocionais e espirituais que uma vida sexual ativa engloba, eles se tornam capazes de tomar a decisão correta".
É lamentável que alguns "especialistas" pensem que a juventude só é capaz de aderir ao vício e ao pecado, e não à virtude. A ginecologista Albertina Duarte Takeuti, coordenadora do Programa Saúde do Adolescente da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, considera a opção pela virgindade "válida" e acha positivo que o tema venha à tona graças aos ídolos do pop. "Todo adolescente acha que suas verdades são absolutas. O importante é respeitá-lo em seus valores e manter um canal de diálogo aberto", defende.O coordenador do TLW diz "celebrar" o fato de que artistas famosos preguem a castidade. "Ficamos satisfeitos com a postura dos Jonas Brothers. Mas ela é tão importante quanto a do garoto que vive numa comunidade rural e passa a idéia adiante", compara Hester.
Certamente alguns jovens poderão usar o anel mais como moda que para eles pode ser passageira, mas é certo que muitos o usarão com convicção e poderão estimular muitos outros a viverem a beleza da virtude da castidade. A lei de Deus manda não pecar contra a castidade. Este exemplo do TLW não é único, e mostra o renascer da castidade. Quando o Papa João Paulo II esteve nas Filipinas, em janeiro de 1995, houve uma concentração de 4 milhões de pessoas para participar da missa que ele celebrou em Manilha; nesta ocasião um grupo de 50.000 jovens entregou ao Papa um abaixo assinado se comprometendo a viver a castidade. Ela é a virtude que mais forma homens e mulheres de verdade, de acordo com o desejo de Deus, e os prepara para constituir famílias sólidas, indissolúveis e férteis.
É preciso, portanto, que nós cristãos, tenhamos coerência e coragem para transmitir aos jovens esses valores, que são divinos e eternos. O remédio principal que a nossa sociedade doente precisa é de uma escala de valores condizente com a dignidade humana, sob pena de nos igualarmos aos animais. O homem não é apenas um corpo; tem uma alma imortal, criada para viver para sempre na glória de Deus. Isto dá um novo sentido à vida. Não fomos criados para nos contentarmos apenas com o prazer sexual passageiro. Fomos feitos para o Infinito, e só em Deus satisfaremos plenamente as nossas tendências naturais.
Já é hora de voltarmos a falar aos jovens, corajosamente, sobre a importância da castidade e da virgindade. Também nós católicos estivemos muito tempo "encolhidos" de medo de um mundo neo-pagão que ri da castidade e da pureza da alma. Não há, sem dúvida, melhor preparação para o casamento e para o futuro, do que viver a castidade na juventude.
Precisamos mostrar aos jovens que para haver a castidade de atos, é necessário haver antes a castidade de pensamentos, palavras e desejos. É preciso, corajosamente, desafiá-los a dizer não a toda prostituição, pornografia, filmes eróticos, moda excitante, etc. É preciso mostrar-lhes que cada corpo humano é templo do Deus vivo que ali habita pelo seu Santo Espírito (1Cor 3,16; 6,19).
Infelizmente a pregação da Igreja, com poucas exceções, arrefeceu diante do avanço da imoralidade, e, por isso, ela grassou rapidamente. Muitos e muitos jovens se separam com poucos anos de casamento, porque não exercitaram a sua vontade na luta árdua da vivência da castidade.
Quanto às críticas, paciência! O Senhor disse: "Felizes sereis quando vos caluniarem; quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus…" (Mt 5,11-12).
Prof. Felipe Aquino
BENTO XVI DEDICA SUA ÚLTIMA REFLEXÃO DE 2008 AOS JOVENS
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI dedicou aos jovens suas últimas reflexões de 2008, durante a celebração das Primeiras Vésperas da Solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus e o solene Te Deum, de acção de graças.O Papa quis dedicar aos jovens, da mesma forma que na Noite de Natal falou sobre as crianças, esta última reflexão do ano, e lhes pediu que não tenham dúvida em escolher um «estilo de vida que não siga a mentalidade hedonista actual».
«A sociedade necessita de cidadãos que não se preocupem só com seus próprios interesses, porque, como recordei no dia de Natal, 'o mundo irá à ruína se cada um pensar só em si mesmo'», afirmou o Papa.
Por outro lado, pediu-lhes generosidade na hora de responder à chamada divina, a não ter medo da tarefa apostólica que o Senhor lhes confia. «As crescentes necessidades da evangelização requerem numerosos trabalhadores na vinha do Senhor: não tenhais dúvida em responder-Lhe com prontidão se Ele vos chama».
«O Espírito Santo vos assegura a força necessária para dar testemunho da alegria da fé e da beleza de serem cristãos», acrescentou.
Dirigiu-se também aos pais dos jovens, e pediu que dêem testemunho às novas gerações «da alegria que brota do encontro com Jesus, o qual, nascendo em Belém, não veio tirar-nos algo, mas para dar-nos tudo».
Os jovens, explicou o Papa, levam em seu coração a pergunta sobre o sentido da existência humana, e louvou uma iniciativa realizada na diocese de Roma por grupos de pais que «buscam novos caminhos para ajudar os próprios filhos a responder às grandes questões existenciais».Enfrentar os desafios actuais
Em sua saudação também à diocese de Roma, o Papa reforçou a necessidade de «formar agentes pastorais» que «possam enfrentar os desafios que a cultura moderna apresenta à fé cristã».
Convidou especialmente a responderem «à actual situação de emergência educativa», mediante uma maior presença nesse campo, e especialmente, mediante uma sinergia maior entre as famílias, a escola e as paróquias para uma evangelização profunda e para uma animada promoção humana, capazes de comunicar ao maior número de pessoas possível, a riqueza que brota do encontro com Cristo».
«O encontro com Cristo, vocês sabem bem, renova a existência pessoal e ajuda-lhes a contribuir na construção de uma sociedade justa e fraterna. É por isso que, como crentes, podemos dar uma grande contribuição também para superar a actual emergência educativa», acrescentou, precisamente porque «a presença de Cristo é um dom que devemos saber partilhar com todos».
«A presença de numerosas e qualificadas instituições académicas em Roma e as muitas iniciativas promovidas pelas paróquias nos fazem ver com confiança o futuro do cristianismo nesta cidade».
Reflectindo também sobre o significado da solenidade de Maria Mãe de Deus, o Papa explicou que «a própria Virgem nos recorda que grande presente nos fez Jesus com seu nascimento, que precioso tesouro constitui para nós sua Encarnação».
«Vindo ao mundo, o Verbo eterno do Pai nos revelou a proximidade de Deus e a verdade última sobre o homem e sobre seu destino eterno; veio ficar connosco para ser nosso apoio insubstituível, especialmente nas inevitáveis dificuldades de cada dia», acrescentou.
Ao mesmo tempo, convidou os fiéis a agradecerem pelo ano que se encerra, em louvor e acção de graças «Àquele que nos dá o dom do tempo, oportunidade preciosa de fazer o bem; unamos o pedido de perdão por talvez não o ter empregado sempre de maneira útil».
O Papa concluiu que no Natal «Jesus vem oferecer sua Palavra como lâmpada que guia nossos passos; vem para oferecer-se a si mesmo e d´Ele, nossa esperança certa, devemos saber dar razão de nossa existência quotidiana, conscientes de que somente no mistério do Verbo encarnado encontra verdadeira luz o mistério do homem».
Fonte: zenit.org