DIA 13 DE MAIO DE 2009

92º das aparições de Nossa Senhora de Fátima


“A mensagem de Fátima é, no seu núcleo fundamental, uma chamada à conversão e à penitência [...]. A Senhora da mensagem parecia ler com uma perspicácia especial os sinais dos tempos, os sinais do nosso tempo”
(João Paulo II, 13.V.82)

O Papa João Paulo II, recordando a sua peregrinação a Fátima, onde esteve “com o terço na mão, o nome de Maria nos lábios e o canto de misericórdia no coração”, para dar graças a Nossa Senhora por ter saído com vida do atentado sofrido no ano anterior, sublinhou que “as aparições de Fátima, […] vêm a ser como que um ponto de referência e de irradiação para o nosso século. Maria, nossa Mãe celestial, apareceu para sacudir as consciências, para iluminar o autêntico significado da vida, para estimular à conversão do pecado e ao fervor espiritual, para inflamar as almas de amor a Deus e de caridade com o próximo. Maria veio socorrer-nos, porque muitos, infelizmente, não querem acolher o convite do Filho para regressarem à casa do Pai.

“Do seu Santuário de Fátima, Maria renova ainda hoje o seu apelo materno e premente: a conversão à Verdade e à Graça; a vida sacramental, especialmente a Penitência e a Eucaristia, e a devoção ao seu Coração Imaculado, acompanhada pelo espírito de penitência”
(João Paulo II, Angelus, 26.07.87)

João Paulo II quis renovar a Consagração e a ela podemos unir-nos hoje: “Ó Mãe dos homens e dos povos, Vós que conheceis todos os seus sofrimentos e esperanças, Vós que sentis maternalmente todas as lutas entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas que invadem o mundo contemporâneo, acolhei este clamor que, como que movidos pelo Espírito Santo, elevamos directamente ao vosso coração, e abraçai com o amor da Mãe e da Serva este nosso mundo, que colocamos sob a vossa confiança e Vos consagramos, cheios de inquietação pela sorte terrena e eterna dos homens e dos povos.
“De modo particular, colocamos sob a vossa confiança e Vos consagramos os homens e nações que necessitam especialmente desta consagração. Sob a vossa protecção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as súplicas que Vos dirigimos nas nossas necessidades!
“Não as desprezeis!
“Acolhei a nossa humilde confiança e entrega!”
(João Paulo II, Consagração à Virgem de Fátima, 13-V-1982).

«Sempre que estou em Portugal, abeiro-me de Fátima para rezar à Virgem. Às vezes, venho exclusivamente para isso, e escapo sem deixar-me ver por ninguém.
Tenho muito carinho por todos os Santuários da Virgem, e pode-se dizer praticamente que percorri todos os da Europa. Mas Fátima encanta-me de um modo especial; pelo vosso povo, que é de uma fidelidade à Virgem que comove, porque está unida à devoção, à penitencia e à recitação do Santo Rosário»
(S. Josemaria Escrivá, Lisboa, 31.10.1972)

Recolha de António Ferreira

DIFERENÇAS RELIGIOSAS NÃO DEVEM SER FONTE DE DIVISÃO, DIZ O PAPA

Encontro com os representantes de organizações para o diálogo inter-religioso

JERUSALÉM, segunda-feira, 11 de Maio de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI afirmou –ao concluir o último acto público de seu primeiro dia em Israel – que as diferenças religiosas não devem ser causa de divisão, mas de motivo de alento para seguir na vida o caminho de Deus.

Para alcançar este objectivo, o Papa ofereceu em seu encontro com os representantes de organizações para o diálogo inter-religioso na Terra Santa esta chave: respeitar “tudo o que nos diferencia”; promover “tudo o que nos une”.

O encontro com cristãos, judeus, muçulmanos, drusos e samaritanos teve lugar no auditório do Pontifício Instituto “Notre Dame of Jerusalem Center", criado por João Paulo II com objectivos de carácter religioso, cultural, caritativo e educativo, e confiado pelo mesmo Papa à congregação dos Legionários de Cristo.

Em seu longo discurso, pronunciado em inglês, o Papa constatou que alguns "querem que acreditemos que nossas diferenças são necessariamente causa de divisão a ser tolerada".

“Mas sabemos que nossas diferenças não precisam nunca ser mal representadas como uma inevitável fonte de fricção e tensão nem entre nós mesmos nem na sociedade como um todo."

Ao contrário, "elas nos dão uma maravilhosa oportunidade para pessoas de diferentes religiões viverem juntas no respeito profundo, estima e apreço, encorajando um ao outro nos caminhos de Deus".

"Movidos pelo Todo Poderoso e iluminados por sua verdade, que vocês continuem a dar passos com coragem, respeitando tudo que nos diferencia e promovendo tudo que nos une como criaturas abençoadas com o desejo de trazer esperança a nossas comunidades e ao mundo. Que Deus nos guie ao longo deste caminho.”

Depois da intervenção do Papa, sem que estivesse previsto no programa, tomou a palavra o xeque Tayssir Attamini, juiz supremo das Cortes islâmicas de Jerusalém, para lançar um ataque em árabe contra Israel.

Enquanto o xeque falava, no meio da surpresa geral, dois expoentes judeus deixaram seus assentos. O patriarca latino de Jerusalém, Su Beatitud Fouad Twal, aproximou-se para tentar detê-lo. O Papa, por não compreender árabe, não podia saber o que o xeque dizia.

Posteriormente, o padre Federico Lombardi, S. J., director da Sala de Imprensa da Santa Sé, publicou um comunicado em que confirma que a intervenção do xeque “não estava prevista pelos organizadores do encontro”.

“Em um acontecimento dedicado ao diálogo, esta intervenção foi uma negação do diálogo. Espera-se que este facto não comprometa a missão do Papa, que busca promover o diálogo entre as religiões, como ele mesmo afirmou claramente em muitos discursos desta viagem”.

O porta-voz vaticano desejou também que o “diálogo inter-religioso na Terra Santa não fique comprometido por este incidente”.

Fonte: zenit.org


Recolha de António Ferreira

Notícias interessantes

SHIJIAZHUANG, terça-feira, 5 de maio de 2009 (ZENIT.org).- Numerosos estudos indicam há anos: a China vive um «despertar das religiões» e, se a sede espiritual dos chineses «beneficia» todas as religiões e movimentos religiosos, parece que são as Igrejas cristãs, que atraem o maior número de novos crentes.Um artigo recentemente publicado pelo jornal católico Xinde («A fé»), citado por Eglises d'Asie, informa que a Igreja Católica não se mantém à margem desta tendência e indica que o número de batismos está em alta, dado que a Igreja sabe mostrar-se empreendedora no campo da evangelização.Em um artigo publicado em 22 de abril, Xinde, que se edita em Shijiazhuang (Hebei), indica que, desde o começo deste ano, 22.308 pessoas foram batizadas na fé católica na China.
Santa Sé denuncia nova corrida armamentista nuclear
NOVA YORK, terça-feira, 5 de maio de 2009 (ZENIT.org).- A Santa Sé denunciou que neste momento acontece uma nova corrida de armamentos nucleares e exigiu a aplicação do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP).Porta-voz da posição vaticana foi o arcebispo Celestino Migliore, observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas.Depois de quatro décadas de vida «e de bons serviços à comunidade internacional – declarou o núncio apostólico –, o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares continua sendo a pedra angular do desarmamento nuclear e da não proliferação de regimes nucleares, assim como um instrumento chave para fortalecer a paz e a segurança internacionais».
WASHINGTON DC, 04 Mai. 09 (ACI).- Mary Ann Glendon, uma das intelectuais católicas de maior prestígio mundial, rejeitou o prêmio que a Universidade de Notre Dame lhe concedeu em protesto pelo doutorado honoris causa que este centro de estudos católico conferirá ao Presidente Barack Obama, apesar de sua aberta promoção do aborto.Glendon rejeitou a chamada Laetare Medal que lhe seria imposta na mesma cerimônia à que está convidado Obama, e se somou aos mais de 50 bispos americanos e 300 mil cidadãos que manifestaram seu rechaço à presença do político a favor do aborto.O reitor do Notre Dame, Pe. John Jenkins alegou que o prêmio a Obama quer reconhecer sua histórica eleição e seu ambicioso programa social de luta contra a pobreza. Entretanto, uma das primeiras medidas que tomou Obama ao assumir a presidência foi levantar o veto ao financiamento federal para organizações que promovem o aborto no exterior.Glendon é professora de Harvard, foi embaixatriz dos Estados Unidos ante a Santa Sé e agora é presidenta da Academia Pontifícia de Ciências Sociais.Na carta que esta semana dirigiu à universidade, Glendon recorda ao reitor que os bispos pediram no ano 2004 às instituições católicas que "não concedessem honras a aqueles que atuam sem respeitar nossos princípios morais fundamentais", e que a tais pessoas "não se lhes deveriam conceder prêmios, honras ou plataformas que pudessem sugerir um apoio às suas ações"."Esta petição, que em modo algum implica um controle ou interferência com a liberdade de uma instituição para convidar e debater com quem queira me parece tão razoável que não entendo como uma universidade católica pode não respeitá-la", indicou.
VATICANO, 04 Mai. 09 (ACI).- Ao presidir a Eucaristia de Ordenação Sacerdotal de 19 diáconos da diocese de Roma, o Papa Bento XVI explicou que "o 'mundo' é uma mentalidade, uma maneira de pensar e de viver que pode poluir inclusive à Igreja, e de fato a polui, e, portanto exige constante vigilância e purificação. Estamos 'no' mundo, e corremos também o risco de ser 'do' mundo. E, de fato, às vezes o somos". O mundo, no sentido evangélico, disse logo o Santo Padre "assedia também a Igreja, contagiando a seus membros e aos mesmos ministros ordenados". Fazendo referência à primeira carta de São João "Por isso o mundo não nos conhece, porque não o conheceu", o Santo Padre afirmou que "o "mundo"', na acepção de João, "não compreende ao cristão, não compreende aos ministros do Evangelho. Em parte, porque de fato não conhece Deus; e em parte, porque não quer conhecê-lo. O "mundo não quer conhecer a Deus nem escutar seus ministros, pois isto o colocaria em crise".
http://www.cathnews.com/article.aspx?aeid=13368A agência católica de notícias CathNews informa que Mehmet Ali Agca, o homem que em 13de maio de 1981 tentou matar o papa João Paulo II, diz ter se convertido ao catolicismo. Em carta, a agência de notícias diz que Agca afirma que teria renunciado ao islamismo e abraçado a fé católica em 13 de maio de 2007. Ele, que atualmente se encontra preso na Turquia, afirma querer voltar à Praça de São Pedro para testemunhar ao mundo sua conversão e visitar o túmulo de João Paulo II para expressão sua gratidão filial pela misericórdia do papa, que o perdoou. Mustafa Demirbag seu ex-advogado disse estar bastante cético em relação à conversão de Agca.
ROMA, 04 Mai. 09 / 11:24 pm (ACI).- O Bispo Emérito do Nardò-Gallipoli (Itália), Dom Antonio Rosário, de 103 anos de idade e um dos três bispos vivos nascidos em 1906, criticou o conteúdo do filme Anjos e Demônios e a qualificou de “estupidez inútil”.Segundo a imprensa, o Prelado assinalou que a obra, baseada no livro de Dan Brown de mesmo nome, “tem um conteúdo altamente denegatório, difamatório e ofensivo para os valores da Igreja e o prestígio da Santa Sé”. Ele “ficou impressionado com o conteúdo do filme”. Dom Rosário convidou aos bispos a denunciar o filme por atacar a fé de milhões de pessoas e difundir espetáculos obscenos.
ROMA, 04 Mai. 09 (ACI).- A Conferência Episcopal do Congo emitiu uma mensagem no qual denunciou, como o fez Bento XVI em sua recente visita a África, que o uso do preservativo "constitui não só uma desordem no plano ético, mas também e sobre tudo é a prova da banalização da sexualidade em nossa sociedade" já que "incentiva a enfermidade, agrava o problema" da AIDS e favorece a libertinagem sexual.No texto assinado pelo Presidente do Episcopado congolês e o Bispo de Tshumbe, D. Nicolas Djomo Lola, os prelados expressam sua dor pelos ataques de "alguns meios de comunicação para criar voluntariamente confusão sobre as palavras do Papa sobre a AIDS, que constituem o ensino habitual da Igreja Católica".Os bispos precisam também que "na verdade a mensagem de Bento XVI que escutamos com alegria nos reforça em nossa luta contra o HIV/AIDS. Dizemos não ao preservativo! Em vez de frear a enfermidade, e sem oferecer uma segurança total, exaspera o egoísmo humano, agrava o problema, favorece o debandar-se aos instintos sexuais e arranca da sexualidade suas funções simbólicas e religiosas".
Recolha de António Ferreira

PALAVRAS DO PAPA: VOU À TERRA SANTA PARA REZAR

Visita de 8 a 15 de Maio 2009

Queridos amigos, deixarei Roma na sexta-feira para a visita apostólica a Jordânia, Israel e Territórios Palestinos .

Esta manhã, gostaria de aproveitar a oportunidade através do rádio e da televisão, para saudar os povos destas terras.

Estou ansioso para estar com vocês, compartilhar as suas aspirações e esperanças, seus temores e lutas.

Irei como peregrino da paz. Minha intenção primária é visitar os lugares sagrados da vida de Jesus e rezar pelo dom da paz e da unidade entre suas famílias e por todos os que residem na Terra Santa e no Oriente Médio.


Entre os muitos eventos religiosos e civis que terão lugar durante a semana, me encontrarei com representantes das comunidades muçulmanas e judaicas, com as quais foram feitos grandes passos no diálogo e no intercâmbio cultural.


De modo especial, saúdo calorosamente os católicos da região e peço que rezem comigo para que esta visita produza muitos frutos para a vida espiritual e civil de todos aqueles que residem na Terra Santa.


Que todos sejamos firmes no desejo e nos esforços pela paz.

Fonte: H2Onews, 07.05.09

Acompanhemos o Santo Padre com a nossa oração nestes dias da sua viagem.

Recolha de António Ferreira

MAIO MÊS DE MARIA

Novo êxito sobre oração do terço no YouTube
Segundo versão de «May Feelings»

MADRID, segunda-feira, 4 de Maio de 2009 (ZENIT.org).- Acaba de ser lançada no YouTube a segunda versão do vídeo «May Feelings», que se propõe a promover entre os jovens a oração do terço.

A primeira versão de «May Feelings» foi lançada em 30 de Abril de 2008, com um inusitado êxito de público, que até hoje contabiliza 370.910 reproduções por parte dos usuários. O vídeo também foi promovido por http://www.h2onews.org/.
O vídeo deste ano utiliza imagens sugestivas e criativas para estimular a oração do rosário, alentando os jovens a manifestarem sem complexos diante dos demais sua opção por esta prática.

O vídeo pode ser visto em: http://www.youtube.com/watch?v=dsQeyDZJ_HQ

Fonte: zenit.org


Recolha de António Ferreira

PARA O MÊS DE MAIO, MÊS DE MARIA

O SANTO ROSÁRIO E A PALAVRA DE DEUS

Excertos (texto completo em http://www.cliturgica.org/ , nº 3, 2008/2009) das Palavras finais após a recitação em comum do Santo Rosário, durante a Visita pastoral ao Pontifício Santuário de Nossa Senhora do Rosário em Pompeia (Itália), no domingo 19 de Outubro de 2008.

«Antes de entrar no Santuário para recitar juntamente convosco o santo Rosário, detive-me brevemente diante do túmulo do beato Bartolo Longo, e rezando perguntei-me: «De onde tirou este grande apóstolo de Maria a energia e a constância necessárias para realizar uma obra tão imponente, conhecida em todo o mundo? Não é precisamente do Rosário, por ele acolhido como um verdadeiro dom do coração de Nossa Senhora?».

Sim, foi verdadeiramente assim! Disto dá testemunho a experiência dos santos: esta popular oração mariana é um meio espiritual precioso para crescer na intimidade com Jesus, e para aprender, na escola da Virgem Santa, a realizar sempre a vontade divina.
[…]
Mas para ser apóstolos do Rosário, é preciso fazer experiência em primeira pessoa da beleza e da profundidade desta oração, simples e acessível a todos. É necessário antes de tudo deixar-se guiar pela mão da Virgem Maria e contemplar o rosto de Cristo: rosto gozoso, luminoso, doloroso e glorioso. Quem, como Maria e juntamente com Ela, guarda e medita assiduamente os mistérios de Jesus, assimila cada vez mais os seus sentimentos e conforma-se com Ele.
[…]
O Rosário é escola de contemplação e de silêncio. À primeira vista, poderia parecer uma oração que acumula palavras, portanto dificilmente conciliável com o silêncio que é justamente recomendado para a meditação e a contemplação. Na realidade, esta repetição ritmada da Ave-Maria não perturba o silêncio interior, aliás, exige-o e alimenta-o. Analogamente a quanto acontece para os Salmos quando se reza a Liturgia das Horas, o silêncio sobressai através das palavras e das frases, não como um vazio, mas como uma presença de sentido último que transcende as próprias palavras e juntamente com elas fala ao coração. Assim, recitando as Ave-Marias, é preciso prestar atenção para que as nossas vozes não «se sobreponham» à de Deus, o qual fala sempre através do silêncio, como «o sussurrar de uma brisa leve» (1 Re 19, 12). Como é importante então cuidar este silêncio cheio de Deus, quer na recitação pessoal quer na comunitária!
[…]
Gostaria de acrescentar outra reflexão, relativa à Palavra de Deus no Rosário.
[…]
Se a contemplação cristã não pode prescindir da Palavra de Deus, também o Rosário, para ser oração contemplativa, deve emergir sempre do silêncio do coração como resposta à Palavra, a exemplo de Maria. Considerando bem, o Rosário está totalmente imbuído de elementos tirados da Escritura. Há antes de mais a enunciação do mistério, feita preferivelmente, como hoje, com palavras tiradas da Bíblia. Segue-se o Pai-Nosso: dando à oração a orientação «vertical», abre o ânimo de quem recita o Rosário para a justa atitude filial, segundo o convite do Senhor: «Quando rezais dizeis: Pai...» (Lc 11, 2). A primeira parte da Ave-Maria, também ela tirada do Evangelho, faz-nos ouvir todas as vezes as palavras com que Deus se dirigiu à Virgem Maria através do Anjo, e as de bênção da prima Isabel. A segunda parte da Ave-Maria ressoa como a resposta dos filhos que, dirigindo-se suplicantes à Mãe, mais não fazem do que expressar a própria adesão ao desígnio salvífico, revelado por Deus. Assim, o pensamento de quem reza permanece sempre ancorado na Escritura e nos mistérios que nela são apresentados.
[…]
Queridos amigos, (deixo-vos) estas duas finalidades: desejo confirmar e recomendar novamente ao vosso compromisso espiritual e pastoral o apostolado da caridade e a oração pela paz.

[…]
Devo deixar-vos, mas o meu coração permanece próximo desta terra e desta comunidade. Confio-vos a todos à Bem-Aventurada Virgem do Santo Rosário, e concedo de coração a cada um a Bênção Apostólica.
Fonte: http://www.cliturgica.org/, nº 3, 2008/2009

Recolha de António Ferreira

MÊS DE MAIO

«Nos dias seguintes à ressurreição do Senhor, os Apóstolos permaneceram reunidos entre si, confortados pela presença de Maria, e depois da Ascensão perseveraram juntamente com ela em orante expectativa do Pentecostes. Nossa Senhora foi para eles mãe e mestra, papel que continua a desempenhar para os cristãos de todos os tempos. Todos os anos, no tempo pascal, revivemos mais intensamente esta experiência e talvez precisamente por isto a tradição popular consagrou a Maria o mês de Maio, que normalmente se situa entre a Páscoa e o Pentecostes. Este mês, que em breve se iniciará, é-nos por isso útil para redescobrir a função materna que ela desempenha na nossa vida, para que sejamos sempre discípulos dóceis e testemunhas corajosas do Senhor ressuscitado.» […]

Bento XVI, Regina Caeli, 30 de Abril de 2006
Fonte: http://www.cliturgica.org/ , nº3 2008/2009


Recolha de António Ferreira

O PAPA PROPÕE DESCOBRIR «BELEZA DA LITURGIA DA IGREJA»

Centrou a catequese em um escritor da Igreja bizantina

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 29 de Abril de 2009 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI dedicou à espiritualidade oriental a catequese desta quarta-feira, dentro do ciclo sobre escritores do primeiro milénio do cristianismo, ao meditar sobre a vida do patriarca Germano de Constantinopla com os milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.

O Papa quis unir o conceito de beleza na liturgia com a veneração às imagens sagradas e à Mãe de Deus, em sintonia com a sensibilidade das Igrejas orientais, para as quais estes três aspectos estão intimamente relacionados.

Centrando-se na vida do patriarca Germano (século VIII), que foi perseguido pelo imperador bizantino Leão III durante as lutas iconoclastas, o Papa explicou que sua defesa das imagens sagradas o levou ao exílio e à morte esquecida por todos, ainda que seu nome foi reabilitado no segundo Concílio de Nicéia.

Destacou do patriarca de Constantinopla três aspectos relacionados entre si: por um lado, seu pensamento mariano; por outro, seu amor à liturgia; e por outro, a veneração às imagens, que é um reflexo da visibilidade de Deus através de Jesus Cristo e dos santos, e que a Igreja sempre teve em grande consideração.

Sobre Nossa Senhora, o Papa destacou que este santo, ainda que «não era um grande mariólogo», algumas obras suas «tiveram um certo eco sobretudo por certas intuições suas sobre a mariologia, tanto no Oriente como no Ocidente».

«Suas esplêndidas Homilias sobre a Apresentação de Maria no Templo são testemunhos ainda vivos da tradição não escrita das Igrejas cristãs. Gerações de monjas, de monges e de membros de numerosíssimos Institutos de Vida Consagrada seguem encontrando ainda hoje nestes textos tesouros preciosíssimos de espiritualidade».

De facto, recordou que um de seus escritos foi incorporado em 1950 «como uma pérola preciosa» pelo Papa Pio XII à Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, que declarou dogma de fé a Assunção de Maria.

Com respeito ao amor à liturgia, o Papa destacou que, para a Igreja oriental, a beleza tanto da liturgia como da linguagem, dos sinais, do edifício e da música deve coincidir, pois segundo o próprio patriarca Germano, a Igreja «é o céu na terra, onde Deus transcendente habita como em sua casa e onde passeia».

«Celebrar a liturgia na consciência da presença de Deus, com essa dignidade e beleza que deixa ver um pouco seu esplendor, é a tarefa de todo cristão formado em sua fé», explicou o Papa.

Sobre as imagens sagradas, o pontífice explicou que «há uma certa visibilidade de Deus no mundo, na Igreja, que devemos aprender a perceber».

«Deus criou o homem a sua imagem, mas esta imagem foi coberta de tanta sujidade pelo pecado que, em consequência, Deus quase não se via mais nela. Assim o Filho de Deus se fez verdadeiro homem, perfeita imagem de Deus: em Cristo podemos assim contemplar também o rosto de Deus e aprender a ser nós mesmos verdadeiros homens, verdadeiras imagens de Deus».

«As imagens santas nos ensinam a ver Deus na figuração do rosto de Cristo. Após a encarnação do Filho de Deus, se fez portanto possível ver Deus nas imagens de Cristo e também no rosto dos santos, no rosto de todos os homens nos quais resplandece a santidade de Deus», acrescentou.

Fonte: zenit.org

Recolha de António Ferreira

Santo Condestável

Queridos Leitores em língua portuguesa

Escrevemo-vos hoje porque amanhã é um grande dia: a lista dos portugueses considerados santos pala Santa Madre Igreja e, como tal, apresentados a todo o mundo cristão como modelos de virtudes, vai ser aumentada com mais um elemento. Trata-se de Nuno Álvares Pereira, que a tradição popular se habituou a chamar “Santo Condestável” e que Bento XV tinha inscrito em 1918 na lista dos Bem-aventurados, com o nome de Beato Nuno de Santa Maria.
Não vos vamos relatar aqui a sua vida nem os benefícios que operou por graça de Deus – há muitas e variadas fontes e os interessados saberão onde se dirigir. Vamos antes transcrever um trecho da nota pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa porque, ela também, merece ser lida e assimilada, não só por portugueses mas por homens e mulheres do mundo inteiro.

“Vivemos em tempo de crise global, que tem origem num vazio de valores morais. O esbanjamento, a corrupção, a busca imparável do bem estar material, o relativismo que facilita o uso de todos os meios para alcançar os próprios benefícios, geraram um quadro de desemprego, de angústia e de pobreza que ameaçam as bases sobre as quais se organiza a sociedade. Neste contexto, o testemunho de vida de D. Nuno constituirá uma força de mudança em favor da justiça e da fraternidade, da promoção de estilos de vida mais sóbrios e solidários e de iniciativas de partilha de bens. Será também apelo a uma cidadania exemplarmente vivida e um forte convite à dignificação da vida política como expressão de melhor humanismo ao serviço do bem comum.
Os Bispos de Portugal propõem, portanto, aos homens e mulheres de hoje o exemplo da vida de Nuno Álvares Pereira, pautada pelos valores evangélicos, orientada pelo maior bem de todos, disponível para lutar pelos superiores interesses da Pátria, solícita por servir os mais desprotegidos e pobres. Assim seremos parte activa na construção de uma sociedade mais justa e fraterna que todos desejamos.”

Aproveitamos a oportunidade para vos recordar a lista daqueles que, nascidos em Portugal ou em terras de administração portuguesa, foram elevados às honras dos altares:
- S. Teotónio, nascido no Minho em 1082, falecido em 1161 e canonizado em 1163;
- Santo António, nascido em Lisboa em 1191, falecido em Pádua em 1231 e canonizado em 1232;
- Santa Beatriz da Silva, nascida em Campo Maior (ou em Ceuta) em 1424, falecida em 1492 e canonizada em 1976;
- S. João de Deus, nascido em Montemor-o-Novo em 1495, falecido em Granada em 1550 e canonizado em 1690;
- S. Gonçalo Garcia, nascido em Baçaim (Goa) por volta de 1560 , martirizado no Japão em 1597 e canonizado em 1862;
- S. João de Brito, nascido em Lisboa em 1647, martirizado na Índia em 1693 e canonizado em 1947;
- Santo António Sant’Anna Galvão, nascido no estado de São Paulo (Brasil) em 1739, falecido em 1822 e canonizado em 2007.
A esta lista teremos de acrescentar necessariamente Santa Isabel de Portugal, nascida em Aragão em 1270, rainha de Portugal de 1282 a 1325, falecida em Estremoz em 1336 e canonizada em 1625.
Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, nascida em Itália em 1865, faleceu no Brasil em 1942 e foi canonizada em 2002, sendo considerada por todos uma “santa brasileira”. O mesmo se diga dos Mártires do Rio Grande do Sul (1628), canonizados em 1988, embora dois (Afonso Domingues e João de Castilho) tenham nascido em Espanha e o terceiro (Roque Gonzalez) no Paraguai.
Que todos eles, mais os muitos beatos saídos nas nossas terras, intercedam por nós neste tempo que vamos vivendo.
Com muita amizade
A equipa portuguesa de EAQ
Recolha de António Ferreira

RESSURREIÇÃO, «PONTE ENTRE O MUNDO E A VIDA ETERNA»

Palavras de Bento XVI antes de rezar o "Regina coeli" na segunda-feira de Páscoa, 13 de Abril, no Palácio Pontifício de Castel Gandolfo.

Queridos irmãos e irmãs!

Nestes dias pascais ouviremos ressoar com frequência as palavras de Jesus: "Ressuscitei e estarei sempre convosco". Fazendo eco a este anúncio, a Igreja proclama exultante: "Sim, temos a certeza! Verdadeiramente o Senhor ressuscitou, aleluia! A Ele sejam dadas glória e poder nos séculos!". É toda a Igreja em festa que manifesta os seus sentimentos cantando: "Este é o dia de Cristo Senhor". De facto, ressuscitando da morte, Jesus inaugurou o seu dia eterno. "Não morrerei – diz Ele – permanecerei em vida". O Filho do homem crucificado, pedra rejeitada pelos construtores, já se tornou o fundamento sólido do novo edifício espiritual, que é a Igreja, seu Corpo místico. O povo de Deus, que tem Cristo como seu chefe invisível, está destinado a crescer ao longo dos séculos, até ao cumprimento pleno do plano da salvação. Então, a humanidade inteira será incorporada n'Ele, e cada realidade existente será compenetrada pela sua total vitória. Então, como escreve São Paulo, Ele será "o cumprimento perfeito de todas as coisas" (cf. Ef 1, 23), e "Deus será tudo em todos" (1Cor 15, 28).

Rejubila portanto a comunidade cristã porque a ressurreição do Senhor nos garante o plano divino da salvação, não obstante todas as obscuridades da história, cumprir-se-á. Eis por que a sua Páscoa é verdadeiramente a nossa esperança. E nós, ressuscitados com Cristo mediante o Baptismo, devemos agora segui-l´O fielmente em santidade de vida, caminhando incessantemente rumo à Páscoa eterna, amparados pela consciência de que as dificuldades, as lutas, as provações, os sofrimentos da existência humana, incluída a morte, nunca mais poderão separar-nos d'Ele nem do seu amor. A sua ressurreição lançou uma ponte entre o mundo e a vida eterna, sobre a qual cada homem e mulher pode passar para alcançar a verdadeira meta da nossa peregrinação terrena.

"Ressuscitei e estarei sempre convosco". Esta certeza dada por Jesus realiza-se sobretudo na Eucaristia; é em cada celebração eucarística que a Igreja, e cada um dos seus membros, experimentam a sua presença viva e beneficiam de toda a riqueza do seu amor. No Sacramento da Eucaristia, o Senhor ressuscitado purifica-nos das nossas culpas; alimenta-nos espiritualmente e infunde-nos vigor para enfrentar as duras provações da existência e para lutar contra o pecado e contra o mal. É ele o amparo certo da nossa peregrinação rumo à habitação eterna do Céu. A Virgem Maria, que viveu ao lado do seu Filho divino cada fase da sua missão na terra, nos ajude a acolher com fé o dom da Páscoa e nos torne fiéis e rejubilantes testemunhas do Senhor ressuscitado.
Fonte: zenit.org

Recolha de António Ferreira

O Santo Condestável não contestável

Bagão Félix considera que Nuno Álvares Pereira é «exemplo num tempo em que o valor da exemplaridade escasseia»
No meio da parafernália de pequenas, médias e grandes notícias sobre quase tudo e quase nada, foi com alegria que recebi a notícia da canonização de D. Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável. Como católico e como português. E também pelo facto de a este processo de canonização estar associado o Cardeal português D. Saraiva Martins, de quem, há cerca de três anos, tive a honra de apresentar o livro “Como se faz um Santo”.
É claro que esta simbólica distinção que muito honra a portugalidade no Mundo – mesmo que analisada apenas fora do contexto religioso – não faz manchetes, como fazem à profusão as distinções de um bom jogador de futebol, de um consagrado autor, de um artista de telenovela ou de um empresário de sucesso fulminante.
O que anima certos meios de opinião liofilizada e quase sempre desconhecedores da religião é a discussão (?) sobre a natureza do milagre que está associado à canonização do Beato Nuno. Mas o povo, na sua sabedoria genuína e despoluída, já há muito o havia consagrado como o Santo Condestável. Isso mesmo: santo carmelita e condestável chefe militar e primeiro dignitário do Reino!
Agora que os Santos parecem estar “fora de moda” numa sociedade de “zapping”, comportamentalmente hedonista, moralmente relativista e subjugada à “ditadura das banalidades”, o que vem à liça é minimizar a espiritualidade e a transcendência associadas à santidade. Daí que, nesta onda em que é quase compulsivo em certos meios pôr em causa tudo o que emerge no seio da Igreja, o Santo Condestável seja depreciado por alguns como um “contestável santo”…
O que é certo é que D. Nuno Álvares Pereira, cuja vida de verdadeiro patriota não é de todo contestável e nos habituámos a respeitar, é um exemplo num tempo em que o valor da exemplaridade escasseia. Não apenas na sua vida mais religiosa quando após a morte da sua mulher e despojado de todas as propriedades, títulos e honrarias, se tornou carmelita e viveu um tempo totalmente dedicado aos mais pobres entre os pobres, mas igualmente como notável general de uma guerra que nos garantiu a independência seriamente ameaçada.
Ser santo - como o demonstra a vida de Nuno Álvares Pereira - sempre representou uma forma de subversão, traduzida em cada época de modo diverso e como regra vivida na ausência de qualquer forma de poder, que é onde se revela toda a força da presença de Deus.
Na sociedade contemporânea em que, no plano da relação com Deus, clamamos muito mas obedecemos pouco, o Santo é uma espécie de novo insurrecto sinalizador e modelo da pureza, da harmonia, da espiritualidade levada à sua mais bela singeleza.
No fundo, somos reconduzidos à mais forte constatação: a de que para se ser santo é necessário praticar e, acima de tudo, concretizar o Evangelho. Assim se atinge a perfeição da caridade entendida como a mais elevada medida de amor para com o Criador e para com o próximo. São Paulo haveria de sintetizá-la numa curtíssima expressão: não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim.
A santidade de Nuno Álvares Pereira simboliza a purificação da heroicidade do simples e é a expressão vitoriosa do homem de e para todos os tempos sobre o homem do instante.
A santidade sempre foi entendida como a expressão da Graça Divina, mas também da condição livre de se ser pessoa. O Santo Condestável representa, na História de Portugal e do Mundo, este traço de união entre o passado e o futuro, entre a memória e o exemplo, entre a vida pública e a consagração a Deus.
O Beato Nuno de Santa Maria é um exemplo de uma vida ao serviço do outro, alicerçada numa fé inabalável e num espírito de radical caridade. Através dele poderemos entender melhor o caminho da santidade pelo qual a caridade é, ao mesmo tempo, o coração da inteligência e a inteligência do coração, e que só a partir do nosso interior se pode transformar o que nos é exterior.
Se há quem congregue sem ensinar e quem ensine sem congregar, o novo santo português ensinou pela universalidade do seu exemplo e congregou na perfeição das suas virtudes. Parafraseando S.S. o Papa Bento XVI, D. Nuno viveu profundamente consciente que “se Deus não está presente tudo se torna completamente insuficiente”.
Neste momento em que escrevo, não posso deixar de registar, no plano institucional e político, uma atitude e uma omissão.
A atitude de o Senhor Presidente da República, como o mais alto magistrado da Nação, se ter congratulado, em nome de Portugal, e considerado D. Nuno “uma figura maior da nossa história que, no passado e no presente, deve inspirar os portugueses na busca de um futuro melhor”.
A omissão e o silêncio do lado do Governo e de alguns partidos políticos, sempre tão pródigos e rápidos em felicitar outras personagens nem sempre significantes e em formular votos de congratulação por dá cá aquela palha.
É recorrente nestas alturas usar-se e abusar-se do argumento da separação compulsiva entre o Estado e a Igreja. A louvável e imperativa neutralidade religiosa do Estado não pode, porém, transformar este num Estado anti-religião.
A laicidade do Estado não implica a laicidade da sociedade. A sociedade é plural no sentido religioso e é perigoso confundir sistematicamente, neste plano, Estado e Sociedade. A separação do Estado e da Igreja também não significa neutralidade por omissão, indiferença, abstenção, ignorância ou desconhecimento dos fenómenos religiosos e muito menos hostilidade.
Mas no caso de D. Nuno Álvares Pereira não se exige do Estado que o homenageie como santo católico. Apenas, que o sinalize para as gerações vindouras como grande, ilustre e exemplar português. A História faz parte do presente e do futuro, embora, como um dia escreveu Miguel Torga, “os nossos governantes não querem saber da História. Para eles tudo começa na hora em que assumem o poder”
Em suma: o Beato Nuno é agora consagrado universalmente como o São Nuno de Santa Maria. O povo vê assim confirmado pelo Papa o nome de um incontestável Santo Condestável!
António Bagão Félix
Recolha de António Ferreira

Escola da Fé - a Ressurreição de Jesus

A RESSURREIÇÃO DE JESUS
1 - O evento histórico e transcendente§639 – O mistério da Ressurreição de Cristo é um acontecimento real que teve manifestações historicamente constatadas, como atesta o Novo Testamento. Já S. Paulo escrevia aos Coríntios pelo ano de 56: “Eu vos transmiti... o que eu mesmo recebi:Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas, e depois aos Doze” (1Cor 15,3-4). O apóstolo fala aqui da viva tradição da Ressurreição, que ficou conhecendo após sua conversão às portas de Damasco.
2 - A base da fé católica“Se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação; vazia também é a vossa fé... Se Cristo não ressuscitou, vazia é a vossa fé; ainda estais nos vossos pecados” (1Cor 15, 14.17).
São Paulo chama Cristo ressuscitado “o Primogênito dentre os mortos” (Cl 1, 18). A Ele, ressuscitado em primeiro lugar, seguir-se-á a ressurreição dos irmãos: “Cada qual na sua ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, por ocasião da sua segunda vinda; a seguir, haverá o fim” (1Cor 15, 23s).
“Quando estávamos mortos em nossos delitos, (Deus Pai) vivificou-nos juntamente com Cristo – pela graça fostes salvos! – e com Ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos céus, em Cristo Jesus” (Ef 2, 5s).
“Se ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Pensai nas coisas do alto, e não nas da terra, pois morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a vossa vida, se manifestar, então vós também com Ele sereis manifestados em glória”. (Cl 3, 1-4)
3 – Testemunhas dos Evangelhos
O primeiro acontecimento da manhã do Domingo de Páscoa foi a descoberta do sepulcro vazio (cf. Mc 16, 1-8).
Ele foi a base de toda a ação e pregação dos Apóstolos e foi muito bem registrada por eles. São João afirma: “O que vimos, ouvimos e as nossas mãos apalparam isto atestamos” (1Jo 1,1-2).
Jesus ressuscitado apareceu a Madalena (Jo 20, 19-23);
aos discípulos de Emaús (Lc 24,13-25);
aos Apóstolos no Cenáculo, com Tomé ausente (Jo 20,19-23);
e depois, com Tomé presente (Jo 20,24-29);
no Lago de Genezaré (Jo 21,1-24);
no Monte na Galiléia (Mt 28,16-20);
segundo S. Paulo “apareceu a mais de 500 pessoas” (1 Cor 15,6) e a Tiago (1 Cor 15,7).
S. Paulo disse: “Porque antes de tudo, ensinei-vos o que eu mesmo tinha aprendido que Cristo morreu pelos nossos pecados [...] e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e foi visto por Cefas, e depois pelos Onze; depois foi visto por mais de quinhentos irmãos duma só vez, dos quais a maioria vive ainda hoje e alguns já adormeceram; depois foi visto por Tiago e, em seguida, por todos os Apóstolos; e, por último, depois de todos foi também visto por mim como por um aborto” (1 Cor 15, 3-8).
“Deus ressuscitou esse Jesus, e disto nós todos somos testemunhas” (At 2, 32), disse São Pedro no dia de Pentecostes.
“Cristo morreu e reviveu para ser o Senhor dos mortos e dos vivos”( Rm 14, 9).“Eu sou o Primeiro e o Último, o Vivente; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos, e tenho as chaves da Morte e da região dos mortos” (Ap 1, 17s).
4 – Os Discípulos não acreditavam
Os Apóstolos só podiam acreditar na Ressurreição de Jesus pela evidência dos fatos, pois não estavam predispostos a admiti-la; também para eles a ressurreição foi uma escândalo. Eles não tinham disposições psicológicas para “inventar” a notícia da ressurreição de Jesus ou para forjar tal evento.
Eles ainda estavam impregnados das concepções de um messianismo nacionalista e político, e caíram quando viram o Mestre preso e aparentemente fracassado; fugiram para não ser presos eles mesmos (Cf. Mt 26, 31s); O conceito de um Deus morto e ressuscitado na carne humana era totalmente alheio à mentalidade dos judeus.
“Jesus se apresentou no meio dos Apóstolos e disse: “A paz esteja convosco!” Tomados de espanto e temor, imaginavam ver um espírito. Mas ele disse: “Por que estais perturbados e por que surgem tais dúvidas em vossos corações? Vede minhas mãos e meus pés: sou eu! “Apalpai-me e entendei que um espírito não tem carne nem ossos, como estais vendo que eu tenho”. Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E, como, por causa da alegria, não podiam acreditar ainda e permaneciam surpresos, disse-lhes: “Tendes o que comer?” Apresentaram-lhe um pedaço de peixe assado. Tomou-o então e comeu-o diante deles”. (Lc 24, 34ss)
Nada disto foi uma alucinação, nem miragem, nem delírio, nem mentira, e nem fraude dos Apóstolos, pois se tratava de pessoas muito realistas que, inclusive, duvidaram a principio da Ressurreição do Mestre.
Tomé: “Apalpai e vede: os fantasmas não têm carne e osso como me vedes possuir” (Lc 24,39).
Os discípulos de Emaús estavam decepcionados porque “nós esperávamos que fosse Ele quem restaurasse Israel” (Lc 24, 21).
Os chefes dos judeus tomaram consciência do significado da Ressurreição de Jesus, e, por isso, resolveram dissipá-la: “Deram aos soldados uma vultosa quantia de dinheiro, recomendando: “Dizei que os seus discípulos vieram de noite, enquanto dormíeis, e roubaram o cadáver de Jesus. Se isto chegar aos ouvidos do Governador, nós o convenceremos, e vos deixaremos sem complicação”. Eles tomaram o dinheiro e agiram de acordo com as instruções recebidas. E espalhou-se esta história entre os judeus até o dia de hoje” (Mt 28, 12-15).
E Jesus morreu de verdade, inclusive com o lado perfurado pela lança do soldado. É ridícula a teoria de que Jesus estivesse apenas adormecido na Cruz.
É de se notar ainda que a pregação dos Apóstolos era severamente controlada pelos judeus, de tal modo que qualquer mentira deles seria imediatamente denunciada pelos membros do Sinédrio. Se a ressurreição de Jesus, pregada pelos Apóstolos não fosse real, se fosse fraude, os judeus a teriam desmentido, mas eles nunca puderam fazer isto.
Os vinte longos séculos do Cristianismo, repletos de êxito e de glória, foram baseados na verdade da Ressurreição de Jesus. Afirmar que o Cristianismo nasceu e cresceu em cima de uma mentira e fraude seria supor um milagre ainda maior do que a própria Ressurreição do Senhor.
Será que em nome de uma fantasia, de uma miragem, milhares de fiéis enfrentariam a morte diante da perseguição romana? Será que em nome de um mito, multidões iriam para o deserto para viver uma vida de penitência e oração? O testemunho dos Apóstolos sobre a Ressurreição de Jesus era convincente e arrastava.
Será que uma alucinação poderia fazer esta Igreja sobreviver por 2000 anos, vencendo todas as perseguições (Império Romano, heresias, nazismo, comunismo, positivismo, iluminismo, ateísmo, etc.)? Será que uma alucinação poderia ser a base da religião que hoje tem mais adeptos no mundo (2 bilhões de cristãos)? Será que uma alucinação poderia ter salvado e construído a civilização ocidental depois da queda de Roma?
Como poderia uma fantasia atravessar dois mil anos de história, com 266 Papas, 21 Concilios Ecumênicos, e hoje com mais de 4 mil bispos e 416 mil sacerdotes? E não se trata de gente ignorante ou alienada; muito ao contrário, são universitários, mestres, doutores.
O Ressuscitado criou a fé dos discípulos e não estes que criaram a fé no Ressuscitado. É mais razoável crer na ressurreição de Jesus do que explicar a pujança do Cristianismo por um sonho de gente desonesta ou alucinada. Com os Apóstolos aconteceu o processo exatamente inverso do que se dá com os visionários.
“Fostes sepultados com Cristo no Batismo; também com Ele ressuscitastes, porque acreditastes no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos”. (Cl 2, 12).
“Se nos tornamos uma só coisa com Ele por uma morte semelhante à sua, seremos, também uma só coisa com Ele por uma ressurreição semelhante à sua” (Rm 6,5).
“Se morremos com Cristo, cremos que também viveremos com Ele” (Rm 6,8).
“Pelo batismo fomos sepultados com Cristo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos uma vida nova” (Rm 6,4).
Recolha de António Ferreira

A Cruz de Jesus

É impossível chegar à glória da ressurreição sem passar pelo Calvário(Lc 14,26). Eis por que São Paulo, o teólogo da presença da cruz de Cristo na vida cristã, dizia : “Nós, porém, pregamos Cristo crucificado” (1 Cor 1,23). É que a cruz libertou o homem do pecado e da morte, estabelecendo definitivamente a Nova Aliança de Deus com a humanidade.O cristão é então aquele que vive como quem, no batismo, foi “crucificado com Cristo” (Gl 2,19 e ss;5,24;Rm 6,1-11;Col 2,11 ss). Isto significa que o discípulo do Salvador está morto para o pecado que impede amar a Deus e aos irmãos , aceitando com paciência as tribulações da trajetória neste mundo. A paz, a beatitude interior que fluem do Senhor ressuscitado só são possíveis para quem abraça amorosamente a cruz redentora. Os grandes santos atingiram a culminância de uma existência autenticamente evangélica por terem penetrado a espiritualidade da cruz. Atingiram deste modo a maturidade cristã, aquela perfeição proposta por Jesus: “ Sede perfeitos como o Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48),ou seja, num esforço penoso, contínuo, buscaram se assemelhar ao Deus três vezes santo.Nos primeiro séculos do cristianismo os escritos dos teólogos revelam como a cruz é um instrumento da obra salvífica e a comparam com a árvore da vida do paraíso terrestre, com a arca de Noé, com a lenha do sacrifício que Isaac levou ao monte Moriá, com a escada de Jacó, com a vara de Moisés, com a serpente de bronze, a vara de Aarão reverdecendo no mesmo dia e revelando o sacerdote legítimo.Belíssimas imagens tiradas do Antigo Testamento.Policarpo, Ireneu e Orígenes, entre outros, desenvolveram magníficas considerações a partir destas analogias. Depois da conversão de Constantino a cruz surgiu como símbolo oficial do império e se tornou ainda mais um estímulo para que os fiéis se sacrificassem pela causa do Evangelho e por seus irmãos na fé. Tocantes as homilias de João Crisóstomo, Ambrósio, Agostinho e muitos outros a exaltarem o papel da morte de Jesus na existência do crente. Na Idade Média grandes teólogos aprofundaram ainda mais o sentido da paixão de Cristo crucificado e notáveis os textos de Gregório Magno; Beda, o venerável; Tomás de Aquino; Bernardo; Boaventura. As comunidades religiosas medievais experimentaram, como havia ocorrido anteriormente, grande crescimento espiritual ao cultuarem a cruz salvadora. A espiritualidade da cruz também neste período da História, tornou suportável todos os sofrimentos e produziu multidão de santos. É o carisma do sofrimento que promanou um dia do Calvário. Na Idade Moderna e Contemporânea prosseguiu esta união dos fiéis com Jesus sofredor, acentuando-se, sobretudo depois de Vicente de Paulo a visão de Cristo a sofrer nos pobres e desamparados, nos membros padecentes do Corpo Místico. Teólogos hodiernos, sobretudo na Alemanha, estão a acentuar esta pedagogia da cruz, mostrando que ela é “a manifestação eminente de Deus e revela o modo como se pode tornar operante a ressurreição na vida terrena do cristão”. Cumpre de fato ao batizado olhar sempre para Cristo crucificado a fim de compartilhar a fidelidade e a caridade de Jesus, Ele “que nos amou e se entregou por nós a Deus como oblação e sacrifício de agradável odor (Ef.5,2). Saibamos valorizar este tesouro de graças que é a preciosíssima cruz de Jesus.Ela é a árvore geradora da vida da graça. É farol por entre as tribulações da existência. É a chave do céu. Foi por ela que Cristo derrotou o inimigo do gênero humano e sanou as chagas do pecado. Imitemos o apóstolo Paulo que podia asseverar: “Quanto a mim não quero gloriar-me a nào ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por quem o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo”(Gl 6,l4). Cumpre, porém, não apenas venerar e exaltar a cruz que contemplamos aqui no Gólgota , mas é mister evangelizar com palavras e obras, com o testemunho de vida, “para que não se torne inútil a cruz de Cristo”(1 Cor l,17). É necessário, além disto, estar crucificado com Cristo (Gl 2l,19), ou seja, morto para o pecado e para tudo que o mundo oferece e que contradiz o que o Mestre divino ensinou, fugindo de tudo que é vergonhoso para o cristão e apartando os pensamentos do que está sobre a terra. Do contrário se estará entrando no rol dos “inimigos da cruz de Cristo (Fl 3,18). São Cirilo de Jerusalém nos apostrofa: “ Jesus foi crucificado em teu favor, Ele não pecara; e tu, não te deixarás crucificar por aquele que em teu benefício foi pregado na cruz? Não estarás fazendo um favor; primeiro recebeste. E mostras gratidão pagando a dívida a quem por ti foi crucificado no Gólgota”. É que na cruz nos revestimos de Cristo e nos despojamos do velho homem numa valorização de tanto sofrimento, mostrando-nos assim agradecidos pelo grande benefício recebido.Aceitar a cruz de Jesus é uma grande sensatez.
*Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho
Professor no Seminário de Mariana de 1967 a 2008.
Recolha de António Ferreira

Tudo Sobre a Semana Santa e seus Símbolos

Domingo de Ramos
O Domingo de Ramos dá início à Semana Santa e lembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, aclamado pelos judeus.A Igreja recorda os louvores da multidão cobrindo os caminhos para a passagem de Jesus, com ramos e matos proclamando: "Hosana ao Filho de David. Bendito o que vem em nome do Senhor". (Lc 19, 38 - MT 21, 9). Com esse gesto, portando ramos durante a procissão, os cristãos de hoje manifestam sua fé em Jesus como Rei e Senhor.
Quinta-feira Santa
Hoje celebramos a Instituição do Sacramento da Eucaristia. Jesus, desejoso de deixar aos homens um sinal da sua presença antes de morrer, instituiu a eucaristia. Na Quinta-feira Santa, destacamos dois grandes acontecimentos:
Bênção dos Santos Óleos
Não se sabe com precisão, como e quando teve início a bênção conjunta dos três óleos litúrgicos.Fora de Roma, esta bênção acontecia em outros dias, como no Domingo de Ramos ou no Sábado de Aleluia.O motivo de se fixar tal celebração na Quinta-feira Santa deve-se ao fato de ser este último dia em que se celebra a missa antes da Vigília Pascal. São abençoados os seguintes óleos:
Óleo do Crisma - Uma mistura de óleo e bálsamo, significando plenitude do Espírito Santo, revelando que o cristão deve irradiar "o bom perfume de Cristo". É usado no sacramento da Confirmação (Crisma) quando o cristão é confirmado na graça e no dom do Espírito Santo, para viver como adulto na fé. Este óleo é usado também no sacramento do sacerdócio, para ungir os "escolhidos" que irão trabalhar no anúncio da Palavra de Deus, conduzindo o povo e santificando-o no ministério dos sacramentos. A cor que representa esse óleo é o branco ouro.
Óleo dos Catecúmenos - Catecúmenos são os que se preparam para receber o Batismo, sejam adultos ou crianças, antes do rito da água. Este óleo significa a libertação do mal, a força de Deus que penetra no catecúmeno, o liberta e prepara para o nascimento pela água e pelo Espírito. Sua cor é vermelha.
Óleo dos Enfermos - É usado no sacramento dos enfermos, conhecido erroneamente como "extrema-unção". Este óleo significa a força do Espírito de Deus para a provação da doença, para o fortalecimento da pessoa para enfrentar a dor e, inclusive a morte, se for vontade de Deus. Sua cor é roxa.
Instituição da Eucaristia e Cerimônia do Lava-pés
Com a Missa da Ceia do Senhor, celebrada na tarde de quinta-feira, a Igreja dá início ao chamado Tríduo Pascal e comemora a Última Ceia, na qual Jesus Cristo, na noite em que vai ser entregue, ofereceu a Deus-Pai o seu Corpo e Sangue sob as espécies do Pão e do Vinho, e os entregou para os Apóstolos para que os tomassem, mandando-lhes também oferecer aos seus sucessores.Nesta missa faz-se, portanto, a memória da instituição da Eucaristia e do Sacerdócio. Durante a missa ocorre a cerimônia do Lava-Pés que lembra o gesto de Jesus na Última Ceia, quando lavou os pés dos seus apóstolos.O sermão desta missa é conhecido como sermão do Mandato ou do Novo Mandamento e fala sobre a caridade ensinada e recomendada por Jesus Cristo. No final da Missa, faz-se a chamada Procissão do Translado do Santíssimo Sacramento ao altar-mor da igreja para uma capela, onde se tem o costume de fazer a adoração do Santíssimo durante toda à noite.
Sexta-feira Santa
Celebra-se a paixão e morte de Jesus Cristo. O silêncio, o jejum e a oração devem marcar este dia que, ao contrário do que muitos pensam, não deve ser vivido em clima de luto, mas de profundo respeito diante da morte do Senhor que, morrendo, foi vitorioso e trouxe a salvação para todos, ressurgindo para a vida eterna. Às 15 horas, horário em que Jesus foi morto, é celebrada a principal cerimônia do dia: a Paixão do Senhor. Ela consta de três partes: liturgia da Palavra, adoração da cruz e comunhão eucarística. Depois deste momento não há mais comunhão eucarística até que seja realizada a celebração da Páscoa, no Sábado Santo.
Ofício das Trevas
Trata-se de um conjunto de leituras, lamentações, salmos e preces penitenciais. O nome surgiu por causa da forma que se utilizava antigamente para celebrar o ritual. A igreja fica às escuras tendo somente um candelabro triangular, com velas acesas que se apagam aos poucos durante a cerimônia.
Sermão das Sete Palavras
Lembra as últimas palavras de Jesus, no Calvário, antes de sua morte. As sete palavras de Jesus são: "Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem...", "Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso", "Mulher, eis aí o teu filho... Eis aí a tua Mãe", "Tenho Sede!", "Eli, Eli, lema sabachtani? - Meus Deus, meus Deus, por que me abandonastes?", "Tudo está consumado!", "Pai, em tuas mãos entrego o meu Espírito!". Neste dia, não se celebra a Santa Missa.Por volta das 15 horas celebra-se nas igrejas católicas a Solene Ação Litúrgica comemorativa da Paixão e Morte de Jesus Cristo. À noite as paróquias fazem encenações da Paixão de Jesus Cristo com o Sermão do Descendimento da Cruz e em seguida a Procissão do Enterro, levando o esquife com a imagem do Senhor morto.
Sábado Santo
No Sábado Santo ou Sábado de Aleluia, a principal celebração é a "Vigília Pascal".
Vigília Pascal
Inicia-se na noite do Sábado Santo em memória da noite santa da ressurreição gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo. É a chamada "A mãe de todas as santas vigílias", porque a Igreja mantém-se de vigília à espera da vitória do Senhor sobre a morte. Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: a benção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a liturgia da Palavra, que é uma série de leituras sobre a história da Salvação; a renovação das promessas do Batismo e, por fim, a liturgia Eucarística.
Domingo de Páscoa
A palavra páscoa vem do hebreu Peseach e significa "passagem". Era vivamente comemorada pelos judeus do antigo testamento.A Páscoa que eles comemoram é a passagem do mar Vermelho, que ocorreu muitos anos antes de Cristo, quando Moisés conduziu o povo hebreu para fora do Egito, onde era escravo. Chegando às margens do Mar Vermelho, os judeus, perseguidos pelos exércitos do faraó teriam de atravessá-lo às pressas. Guiado por Deus, Moisés levantou seu bastão e as ondas se abriram, formando duas paredes de água, que ladeavam um corredor enxuto, por onde o povo passou. Jesus também festejava a Páscoa. Foi o que Ele fez ao cear com seus discípulos. Condenado à morte na cruz e sepultado, ressuscitou três dias após, num domingo, logo depois da Páscoa judaica. A ressurreição de Jesus Cristo é o ponto central e mais importante da fé cristã. Através da sua ressurreição, Jesus prova que a morte não é o fim e que Ele é, verdadeiramente, o Filho de Deus. O temor dos discípulos em razão da morte de Jesus na Sexta-Feira transforma-se em esperança e júbilo. É a partir deste momento que eles adquirem força para continuar anunciando a mensagem do Senhor. São celebradas missas festivas durante todo o domingo.
A data da Páscoa
A fixação das festas móveis decorre do cálculo que estabelece o Domingo da Páscoa de cada ano, assim: A Páscoa deve ser celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia que segue o Equinócio da Primavera, no Hemisfério Norte (21 de março). Se esse dia ocorrer depois do dia 21 de abril, a Páscoa será celebrada no domingo anterior. Se, porém, a lua cheia acontecer no dia 21 de março, sendo domingo, será celebrada de 25 de abril. A Páscoa não acontecerá nem antes de 22 de março, nem depois de 25 de abril. Conhecendo-se a data da Páscoa, conheceremos a das outras festas móveis.
Cordeiro
O cordeiro que os israelitas sacrificavam no templo no primeiro dia da páscoa como memorial da libertação do Egito, na qual o sangue do cordeiro foi o sinal que livrou os seus primogênitos. Este cordeiro era degolado no templo.Os sacerdotes derramavam seu sangue junto ao altar e a carne era comida na ceia pascal. Aquele cordeiro prefigurava a Cristo, ao qual Paulo chama "nossa páscoa" (Cor 5, 7).João Batista, quando está junto ao rio Jordão em companhia de alguns discípulos e vê Jesus passando, aponta-o em dois dias consecutivos dizendo: "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jô 1, 29 e 36).Isaías o tinha visto também como cordeiro sacrificado por nossos pecados (Cf. Is 53, 7-12).Também o Apocalipse apresenta Cristo como cordeiro sacrificado, agora vivo e glorioso no céu. (Cf. AP 5,6.12; 13, 8).
Ovo
O costume e tradição dos ovos estão associados com a Páscoa há séculos. Símbolo da fertilidade e nova vida. A existência da vida está intimamente ligada ao ovo, que simboliza o nascimento. O sepulcro de Jesus ocultava uma vida nova que irrompeu na noite pascal. Ofertar ovos significa desejar que a vida se renove em nós.
Coelho
Por serem animais capazes de gerar grandes ninhadas e reproduzirem-se várias vezes ao ano, sua imagem simboliza a capacidade da Igreja de produzir novos discípulos de Jesus, Filho de Deus.
Pão e vinho
Na ceia do senhor, Jesus escolheu o pão e o vinho para dar vazão ao seu amor.Representando o seu corpo e sangue, eles são dados aos seus discípulos para celebrar a vida eterna.
Cruz
A cruz mistifica todo o significado da Páscoa na ressurreição e também no sofrimento de Cristo.No Conselho de Nicea em 325 d.c., Constantim decretou a cruz como símbolo oficial do cristianismo.Então não somente um símbolo da Páscoa, mas símbolo primordial da fé católica.
Círio Pascal
É uma grande vela que é acesa no fogo novo, no Sábado Santo, logo no início da celebração da Vigília Pascal. Assim como o fogo destrói as trevas, a luz que é Jesus Cristo afugenta toda atreva do erro, da morte, do pecado. É o símbolo de Jesus ressuscitado, a luz dos Povos. Após a bênção do fogo acende-se, nele, o Círio. Faz-se a inscrição dos algarismos do ano em curso; depois crava-se neste, cinco grãos de incenso que lembram as cinco chagas de Jesus e as letras "alfa" e "Omega", primeira e última letra do alfabeto grego, que significa o princípio e o fim de todas as coisas.
Prof. Felipe Aquino
Editora Cléofas
Recolha de António Ferreira

EVANGELHO NO YOUTUBE

Série de reportagens televisivas produzidas por Designiomedia

MADRID, segunda-feira, 6 de Abril de 2009 (ZENIT.org).- A produtora Designiomedia oferece para esta Semana Santa uma série de reportagens televisivas gravadas na Terra Santa, nas quais propõe comentários ao Evangelho de cada dia, ilustrado com reportagens e música. Os programas podem ser vistos no Youtube.

A Designiomedia – informa à Zenit seu director, Óscar Silva Fernández – é uma produtora de programas para televisão e internet que tem «o propósito de responder aos apelos que a Igreja nos faz de usar os meios de comunicação social para o anúncio de Jesus Cristo».

A Terra Santa, explica Silva, «é para a Igreja Católica um quinto Evangelho, já que peregrinar a ela e conhecer os lugares que foram testemunhas da vida de Jesus Cristo constitui uma experiência que aumenta a fé».

E recorda que a próxima visita do Papa Bento XVI à Terra Santa significa para a Igreja do terceiro milénio o encontro com nossas raízes mais genuínas.

A produtora Designiomedia realizou para esta Páscoa a série de televisão «Abre-te Céu!». Filmada em Jerusalém, consiste em uma reflexão sobre o Evangelho correspondente a cada dia da Semana Santa, desde a entrada de Jesus em Jerusalém no Domingo de Ramos até a aparição à Madalena no Domingo de Ressurreição.

São 8 programas de 30 minutos cada um, conduzidos por Leonardo Caro e Oscar Silva. Os programas incluem reportagens e vídeos de música inédita que complementam cada tema tratado.

Um exemplo de reportagem é a entrevista a José, um árabe católico que vive com sua família em Belém e, que apesar das dificuldades, permanece lá por amor a suas raízes de fé.

Estes programas serão transmitidos pela televisão nos Estados Unidos e em vários países da América Latina: República Dominicana, Peru, Chile e Argentina.

Os programas «Abre-te céu!» podem ser vistos no Youtube:

http://www.youtube.com/ABRETECIELO

Fonte: zenit.org

Recolha de António Ferreira

CARDEAL BERTONE PEDE QUE «TRABALHO» SEJA CENTRO DO DEBATE SOBRE CRISE

Mensagem à reunião social do G8 que concluiu ontem em Roma


CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 1º de Abril de 2009 (ZENIT.org).- «Voltar a dar uma dimensão humana à economia» é a forma de sair da «mais grave crise financeira da história», declarou o cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado vaticano.

O purpurado escreveu uma mensagem, publicada hoje pela Santa Sé, à Cúpula Social do G8, que reuniu em Roma os ministros do trabalho dos países membros (Itália, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Estados Unidos, Japão, Canadá e Federação Russa), assim como os representantes de outras grandes economias mundiais (China, Índia, Brasil, México, África do Sul e Egipto).

Na mensagem, que o cardeal Bertone dirige ao ministro italiano Maurizio Sacconi, presidente da Reunião, ele afirma que a iniciativa de colocar o trabalho no centro do debate «é muito oportuna, porque já não há dúvidas sobre a dimensão ética da crise, causada por uma gestão globalizada das finanças que buscou só o benefício e não o bem comum e a dignidade da pessoa».

A propósito disso, o secretário de Estado recordou que o princípio da dignidade humana, base da Doutrina Social da Igreja, deriva do facto de que «a pessoa, enquanto centro e cume de tudo o que existe sobre a terra, é o fim de todas as instituições sociais e de todo o actuar económico».

O serviço às necessidades mais fundamentais de todos os homens, especialmente dos mais pobres, é portanto um «pilar fundamental e pedra de comparação de toda medida dirigida a resolver a crise económica que actualmente afecta todos os países sem excepção».

Por isso, «muito além das medidas conjunturais necessárias para bloquear as turbulências financeiras e para sair da recessão generalizada, é necessário fazer todos os esforços para devolver a dimensão humana à economia», sublinhou.

O objectivo do encontro foi, de facto, a formulação de propostas para que as soluções à crise levem em consideração o apoio à ocupação e os direitos dos trabalhadores.

O paradigma da sustentabilidade social do encontro de Roma, observou o cardeal, deverá «ser corroborado por uma consciência social mundial, a consciência de que no mundo a humanidade é uma só família».

Das numerosas discussões multilaterais sobre a crise, «o mundo espera propostas concretas e eficazes, capazes de garantir a todos, inclusive a quem perdeu o trabalho ou está em risco de perdê-lo, um nível de renda e de segurança essenciais».

Da mesma forma, concluiu, pede-se «que se respeitem e potencializem sempre os direitos fundamentais dos trabalhadores» e que «a coordenação entre os governos inclua o diálogo com as partes sociais e com a sociedade civil, também para estimular as economias nacionais, sem prejudicar, contudo, a cooperação internacional ao desenvolvimento, mas tentando potenciá-la».

Fonte; zenit.org

Recolha de António Ferreira

DIOCESES AMERICANAS DÃO BOAS-VINDAS AOS 150 MIL NOVOS CATÓLICOS



O ex-presidente da Câmara de Representantes, Newt Gingrich, une-se à Igreja

WASHINGTON D.C., quinta-feira, 2 de Abril de 2009 (ZENIT.org).- O ex-presidente da Câmara de Representantes Newt Gingrich se converteu ao catolicismo no domingo passado, tornando-se o primeiro dos milhares que se unirão à Igreja na Páscoa.

A Conferência Episcopal dos Estados Unidos informou na terça-feira que estão programadas cerca de 150 mil uniões à Igreja Católica durante esta Semana Santa.

Seu comunicado de imprensa indica que «os números mostram o crescimento e a vitalidade da Igreja Católica em lugares onde tradicionalmente ela representa apenas uma pequena minoria».

A arquidiocese de Atlanta estima que 513 catecúmenos sem baptizar e 2.195 candidatos baptizados em outra comunidade cristã estão buscando a plena comunhão com a Igreja Católica e entrarão nela este ano, sem contar os baptizados infantis.

O Pe. Theodore Book, director da Sala do Culto Divino da arquidiocese, explica que «a arquidiocese de Atlanta se encontra em uma parte do país com uma grande população não-católica, mas foi abençoada com um autêntico dinamismo nos últimos anos, como mostra nosso congresso anual eucarístico, que congrega cerca de 30 mil participantes».

«Uma das muitas bênçãos que recebemos do Senhor é o grande número de pessoas que entram na Igreja», acrescenta.

A arquidiocese de Seattle espera 736 catecúmenos e 506 candidatos a entrar na Igreja, enquanto a diocese de San Diego dará as boas-vindas a 305 catecúmenos e 920 candidatos.

A diocese de Birmingham, Alabama, teve de organizar três cerimónias diferentes para o Rito da Eleição, no começo da Quaresma, para dar lugar às 445 pessoas que se encontravam em processo de converter-se em católicas.

Uma californiana, Heidi Sierras, foi eleita para representar a América do Norte na celebração da Vigília Pascal no Vaticano, onde será baptizada por Bento XVI.

No ano passado, o directório Católico informou que os baptizados de adultos nos Estados Unidos ascenderam a 49.415 em 2007, e que 87.363 pessoas encontraram a plena comunhão com a Igreja.

Fonte: zenit.org

Recolha de António Ferreira

O PAPA FAZ BALANÇO DE SUA VIAGEM À ÁFRICA

Suas duas maiores impressões: a alegria e o recolhimento na liturgia

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 24 de Março de 2009 (ZENIT.org).- Nesta segunda-feira, no voo de volta a Roma após a viagem à África, Bento XVI quis traçar um primeiro balanço sobre suas impressões.

Falando aos jornalistas presentes – segundo recolhe H2Onews – o Santo Padre se mostrou impressionado, por um lado, por «esta cordialidade quase exuberante, por esta alegria de uma África em festa, que parece que viu no Papa, digamos, a personificação do facto de que somos filhos e família de Deus».

«Existe esta família; e nós, com todas as nossas limitações, estamos nesta família e Deus está connosco – acrescentou. E, assim, a presença do Papa ajudou a sentir isto.»

«Por outro lado – acrescentou o bispo de Roma –, impressionou-me muito o espírito de recolhimento nas liturgias, o forte senso do sagrado: nas liturgias não há autorrepresentação dos grupos, autoanimação, mas há presença do sagrado, de Deus; também os movimentos eram sempre movimentos de respeito e de consciência da presença divina.»

O Papa mostrou também profunda dor pela morte das duas meninas calcadas pela multidão, que causou também cerca de 90 feridos, no incidente que aconteceu fora do recinto do estádio Coqueiros de Luanda, onde pouco depois aconteceria o encontro com os jovens angolanos.

«Rezei e rezo por elas», disse o pontífice.

A lembrança do Papa foi também do encontro de 19 de Março com os enfermos do Centro Cardeal Paul Emile Léger, de Yaoundé, uma estrutura de saúde destinada à reabilitação dos deficientes, fundada em 1972 pelo purpurado canadiano do qual toma o nome.

«Tocou-me o coração ver aqui o mundo dos muitos sofrimentos, todo o sofrimento, a tristeza, a pobreza da existência humana, mas ver também como Estado e Igreja colaboram para ajudar os que sofrem», comentou o Papa.

«E se vê, parece-me, que o homem ajudando quem sofre se torna mais homem, o mundo se torna mais humano: isto fica gravado em minha memória», acrescentou.

Fez também uma referência ao Instrumentum Laboris (documento de trabalho) para a 2ª Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a África, que acontecerá em Roma entre 4 e 25 de Outubro de 2009 e que Bento XVI quis entregar pessoalmente aos presidentes das 42 Conferências Episcopais africanas, em 19 de Março, durante a Missa no estádio Amadou Ahidjo, de Yaoundé.

Também, na tarde do mesmo dia, na nunciatura apostólica de Yaoundé, o pontífice se reuniu com os membros do Conselho Especial para a África do Sínodo dos Bispos, formado por 12 bispos (3 cardeais, 8 arcebispos e 1 bispo de tradição caldeia), para analisar as luzes e as sombras, assim como as expectativas da Igreja local.

«Eu poderia contar muitas coisas – disse Bento XVI –, por exemplo, que a Igreja da África do Sul, que teve uma experiência difícil de reconciliação, mas com um êxito substancial, ajuda agora com suas experiências no intento de reconciliação no Burundi e tenta fazer algo parecido, ainda que com grandiosas dificuldades, no Zimbabué.»

Fonte: zenit.org

Recolha de António Ferreira

HOMENAGEM DE BENTO XVI ÀS MULHERES AFRICANAS

Pede um exame de consciência aos homens

LUANDA, domingo, 22 de Março de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI dedicou seu último ato público em terras africanas, antes de regressar nesta segunda-feira a Roma, a render homenagem às mulheres, em resposta às «inquietações e esperanças de tantas heroínas silenciosas».

O Santo Padre dedicou na tarde deste domingo um encontro com os movimentos católicos para a promoção da mulher, na paróquia Santo António de Luanda.

No acto, uma celebração da Palavra, estavam presentes membros de numerosas associações femininas como "Protomaica", a maior associação angolana para a promoção da mulher.

Duas mulheres, em representação dos movimentos presentes, tomaram a palavra para ilustrar ao Papa seus problemas e esperanças.

Em sua alocução, o Papa exortou a todos «a tomar efectiva consciência das condições desfavoráveis a que estiveram – e continuam a estar – sujeitas muitas mulheres, examinando em que medida a conduta e as atitudes dos homens, às vezes falhos de sensibilidade ou responsabilidade, possam ser a causa daquelas».

O Papa explicou que «há que reconhecer, afirmar e defender a igual dignidade do homem e da mulher: ambos são pessoas, diversamente dos outros seres vivos do mundo que os rodeia».

«Ambos são chamados a viver em profunda comunhão, no recíproco reconhecimento e dom de si mesmos, trabalhando juntos para o bem comum com as características complementares do que é masculino e do que é feminino», explicou.

«Quem não adverte, hoje, a necessidade de dar mais espaço às ‘razões do coração’?», perguntou.

«Num mundo como o actual dominado pela técnica, sente-se necessidade desta complementaridade da mulher, para o ser humano poder viver nele sem se desumanizar de todo.»

«Pense-se nas terras onde abunda a pobreza, nas zonas devastadas pela guerra, em tantas situações trágicas resultantes de emigrações forçadas ou não… São quase sempre as mulheres que lá mantêm intacta a dignidade humana, defendem a família e tutelam os valores culturais e religiosos, reconheceu.

O bispo de Roma lamentou como a história regista quase exclusivamente as conquistas dos homens, quando na realidade uma parte importantíssima se deve a acções determinantes, perseverantes e benéficas das mulheres.

Hoje, «já ninguém deveria nutrir dúvidas de que as mulheres têm, na base da sua igual dignidade com os homens, pleno direito de se inserir activamente em todos os âmbitos públicos, e o seu direito há-de ser afirmado e protegido, inclusivamente através de instrumentos legais, onde estes se revelem necessários».

Agora, explicou, «o reconhecimento do papel público das mulheres não deve, contudo, diminuir a função insubstituível que têm no interior da família».

«Aliás, a nível pessoal, a mulher sente a própria dignidade não tanto como resultado da afirmação de direitos no plano jurídico, como sobretudo directa consequência da atenção concreta, material e espiritual, recebida no coração da família.»

«A presença materna no seio da família é tão importante para a estabilidade e o crescimento desta célula fundamental da sociedade que deveria ser reconhecida, louvada e apoiada de todos os modos possíveis.»

Pelo mesmo motivo –concluiu –, «a sociedade deve chamar os maridos e pais às próprias responsabilidades para com a família».
Fonte: zenit.org



Recolha de António Ferreira

BISPOS DOS CAMARÕES ACUSAM OCIDENTE DE «DESINFORMAR» SOBRE VISITA DO PAPA

A polémica sobre o preservativo não afectou a visita


YAOUNDÉ, quinta-feira, 26 de Março de 2009 (ZENIT.org).- Os bispos dos Camarões publicaram uma declaração na qual acusam «certos meios de comunicação ocidentais» de terem «desinformado» sobre a visita de Bento XVI, negando que exista «mal-estar» na opinião pública do país pelas declarações do Papa sobre o uso dos preservativos na luta contra a SIDA.

No texto, assinado pelo presidente da Conferência Episcopal, Dom Victor Tonye Bakot, os prelados mostram seu «espanto» pelo acontecido, sobretudo ao constatar que «a imprensa quer fazer crer que existe um mal-estar na opinião camaronesa sobre a visita do Santo Padre, como consequência de suas declarações».

Em primeiro lugar, oferecem o texto completo das palavras do Papa que provocaram a polémica, e lamentam que «o que os jornalistas retêm desta declaração tão completa do Papa seja apenas a oposição aos preservativos, ocultando toda a acção da Igreja na luta contra a SIDA e no cuidado dos enfermos».

Em segundo lugar, negam taxativamente que isso tenha afectado negativamente a acolhida dispensada ao Papa no país africano.

«O episcopado dos Camarões sublinha, e de maneira muito forte, que os camaroneses acolheram com alegria e entusiasmo o Papa Bento XVI, confirmando assim sua hospitalidade legendária. Não nega por isso a realidade da SIDA, nem seu efeito devastador nas famílias dos Camarões», afirma a nota.

Os prelados sublinham que o Papa deu uma dupla mensagem ao respeito: por um lado, «a Igreja Católica, em todas as partes, está comprometida diariamente na luta contra a SIDA», através de «estruturas adaptadas para o acolhimento, o controle e o tratamento das pessoas infectadas pelo HIV. Esta assistência é por sua vez moral, psicológica, nutricional, médica e espiritual».

Por outro lado, «a Igreja, força moral, tem o imperioso dever de recordar aos cristãos que toda prática sexual fora do matrimónio e desordenada é perigosa e propícia à difusão da SIDA. É por isso que prega a abstinência para os solteiros e a fidelidade no seio do casal. É seu dever. Não pode subtrair-se dele».

Os prelados acusam também a média ocidental por «ter esquecido claramente outros aspectos essenciais da mensagem africana do Santo Padre sobre a pobreza, a reconciliação, a justiça e a paz».

«Isso é muito grave, quando se sabe o número de mortos que outras doenças na África causam, e sobre o que não há nenhuma publicidade verdadeira; quando se sabe ao número de mortos que provocam na África as lutas fratricidas devidas às injustiças e à pobreza.»

Os bispos concluem sua mensagem sublinhando que a Igreja Católica «não rejeita os enfermos de SIDA e não anima de nenhuma maneira a propagação da enfermidade, como pretendem fazer crer certos meios de comunicação».

Fonte: zenit.org

Recolha de António Ferreira

A evidência corrobora as afirmações do Papa sobre o problema da SIDA em África

Do Director do Projecto de Estudos sobre Prevenção do S.I.D.A. de Harvard: Afirmações do Papa acerca da distribuição do preservativo tornar a epidemia de S.I.D.A. pior estão correctas

Por John–Henry Westen
19 de Março de 2009 – Edward C. Green, Director do Projecto de Estudos sobre a Prevenção do S.I.D.A. do Centro de Estudos sobre População e Desenvolvimento de Harvard, afirmou que a evidência corrobora as afirmações do Papa ao declarar que a distribuição de preservativos piora o problema do S.I.D.A.
“O Papa está certo”, afirmou Green ao National Review Online na passada Quarta-feira,”ou, melhor dizendo, as nossas melhores conclusões vão ao encontro dos comentários do Papa.”
“Existe”, acrescentou Green, “ um paralelo consistente que mostram os nossos estudos, incluindo a “Demographic Health Surveys”, financiada pelos Estados Unidos, entre uma maior disponibilidade e uso de preservativos e uma maior – não menor – incidência de infecções pelo vírus HIV. Isto pode dar-se devido ao fenómeno conhecido por “compensação de risco”, significando que quando a população utiliza uma tecnologia de redução de risco como o preservativo, muitas vezes essa mesma população perde o benefício da redução desse risco ao “compensar”, arriscando-se mais do que faria sem essa tecnologia. (Ver a entrevista completa com Greena aqui)
A Pagina Electrónica do Projecto do S.I.D.A. sobre Green menciona o seu livro “Repensar a Prevenção do S.I.D.A.: Aprendendo com os Sucesso de Países em Desenvolvimento”. Nele Green revela que “ As soluções, na sua maioria médicas, fundadas pelos grandes doadores tiveram pouco impacto em África. Em compensação, mudanças de comportamento relativamente simples e de baixo custo – como insistindo numa crescente monogamia e no adiamento da actividade sexual para os mais novos – têm tido maior sucesso na luta contra a doença e na sua prevenção.”
O texto completo da troca de impressões entre o Papa Bento XVI e o repórter, texto esse que lançou uma tempestade na imprensa mundial, foi divulgado agora pela imprensa do Vaticano.
O Papa foi confrontado com a seguinte questão pelo jornalista Philippe Visseyrias, da France 2 : “ Santo Padre, um dos maiores flagelos de África é o problema da epidemia de S.I.D.A.. A posição da Igreja Católica na luta contra este mal tem sido frequentemente considerada irrealista e ineficaz.”
Bento XVI respondeu: “ Eu diria o contrário.
“Estou convencido de que a presença mais efectiva na frente de batalha contra o HIV/S.I.D.A. são, precisamente, a Igreja Católica e as suas instituições. Penso por exemplo na Comunidade de Santo Egídio, que tanto faz e tão visivelmente na luta contra o S.I.D.A; ou nas Camillianas, só para mencionar algumas das freiras que estão ao serviço dos doentes.
Penso que este problema, o S.I.D.A., não pode ser vencido com slogans de propaganda. Se falta a alma, se os Africanos não se entre ajudarem, o flagelo não pode ser resolvido com a distribuição do preservativo; pelo contrário, arriscamo-nos a piorar a situação. A solução só pode advir de um compromisso duplo: primeiro, na humanização da sexualidade, ou por outras palavras, num renovamento espiritual e humano que traga consigo uma nova forma de proceder uns para com os outros. E em segundo lugar, num amor autêntico para com os que sofrem, numa prontidão – mesmo à custa de sacrifício pessoal - para estar presente aos que padecem. São estes os factores que podem trazer o progresso, real e visível.
Assim, eu diria que o nosso esforço deve ser o de renovar a pessoa humana por dentro, o de dar-lhe força espiritual e humana para uma forma de comportamento justa para com o seu corpo e o corpo do outro; e ainda o de ajudá-la a ser capaz de sofrer com os que sofrem e de estar presente nas situações difíceis.
Acredito que é esta a primeira resposta ao problema do S.I.D.A., que é esta a resposta da Igreja e que, deste modo, a sua contribuição é uma grande contribuição. E estamos gratos a todos os que assim contribuem.” (Ver a entrevista completa aqui)
Veja as credenciais e a lista de publicações do Dr. Green em:
Recolha de António Ferreira

“Entrai pela porta estreita”

No começo de mais uma Quaresma é bom relembrar o mais importante. Jesus começou a sua vida pública anunciando o Reino de Deus e chamando o povo à conversão.
“O tempo está realizado e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). Este chamado de Cristo se dirige a cada um de nós.
O homem foi feito para Deus. Para se realizar Nele, plenamente, participando de sua divindade e desfrutando do seu amor. O centro de sua vida, de suas atenções, e de todas as suas atividades deveria ser unicamente Deus. Como dizia São Francisco - um convertido perfeito - “meu Deus e meu Tudo”.
O homem convertido é aquele que voltou-se definitiva e totalmente para Deus, como os santos o fizeram. O pecado original nos deixou “órfãos” de Deus, e nos colocou no lugar Dele. Passamos a “servir” e a “adorar” a nós mesmos e ás criaturas, ao invés de servirmos e adorarmos a Deus.
O nosso processo de conversão consiste, portanto, em retirar o nosso “Eu” do trono do coração, para aí deixarmos reinar Deus. E isto é um processo, que pode durar a vida toda, ou ainda mais. Até após a morte a Igreja ensina que, em uma nova dimensão de vida, poderemos continuar a obra de nossa conversão para Deus, no purgatório.
A conversão é um caminho estreito porque exige “morrer” para si mesmo e para o mundo. Neste aspecto Jesus foi muito claro e não deixou dúvida: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” ( Mt16,24; Lc 23,27).
Seguir a Jesus implica em morrer para si mesmo, para o egoísmo, para a vaidade, para o próprio orgulho, a fim de estar totalmente disponível para fazer a vontade de Deus. Isto não é fácil. Na verdade, chega a ser quase impossível face à nossa natureza decaída. É preciso a graça de Deus a nos mover nesta dura caminhada. Mas, quando queremos nos converter, a graça de Deus nunca nos falta; porque, antes de mais nada, este é o desejo do Senhor.
“Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (1Tess 4,3), diz São Paulo.
“Se o grão de trigo que cai na terra não morrer, permanecerá só; mas se morrer produzirá muito fruto. Quem ama sua vida a perde e quem perde a sua vida neste mundo, guarda-a para a vida eterna” (Jo 12,24-25).
É preciso estar disposto a "perder a vida para ganhá-la".
“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição ... Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho que conduz à Vida” (Mt 7,13).
E Jesus concluiu dizendo que “são poucos os que o encontram”. "Só os violentos [consigo] arrebatam o Reino". Deus fez do sofrimento a matéria prima da salvação, como disse Michel Quoist. Mais do que a própria oração, o sofrimento, aceito com paciência e oferecido a Deus na fé, é o melhor agente da conversão pessoal. Não é a toa que os santos falavam do “martírio da paciência” que nos leva ao céu.
Quando Deus permite que o sofrimento nos atinja, Ele tem para conosco um desígnio de salvação. O sofrimento não é castigo mandado por Deus, mas certamente é correção. A Carta aos Hebreus diz que “o Senhor educa a quem ama, e corrige todo filho que o acolhe” (Hb 12,6). E continua:“É para vossa educação que sofreis. Deus vos trata como filhos... Deus nos educa para o aproveitamento, a fim de nos comunicar a sua santidade” (Hb 12,7).
As ervas daninhas do jardim da nossa alma têm raízes profundas em nós, e é nelas que se apega o nosso Ego, cheio de orgulho, de vaidade, de amor próprio, eivado de paixões, afetos desordenados, apego às coisas materiais, ao dinheiro, às pessoas e a si mesmo, não deixando espaço para Deus reinar em nós, como deve ser. O sofrimento acolhido com ação de graças, na fé, e oferecido a Deus como Jesus o fez, é o remédio propício para matar as raízes profundas das ervas daninhas do nosso Eu. Somente a cruz nos liberta de nós mesmos e nos faz “morrer” a qualquer outro amor e afeição que não seja Deus. Por isso, é preciso saber sofrer; por amor a Deus; para que Ele reine em nós. São Paulo disse que: “A linguagem da cruz é loucura para aqueles que se perdem, mas para aqueles que se salvam, para nós, é poder de Deus” (1 Cor 1,18).
Cada vez que suportamos o sofrimento, qualquer que seja ele, vindo da parte dos homens ou de Deus, com paciência e fé, Deus nos cura, salva e liberta. Santa Teresa D’Ávila dizia que: “os mais queridos de Deus são os que mais sofrem”, como Jesus, mas que “Deus não manda um sofrimento sem pagá-lo com algum favor”. São Tiago afirma que “a paciência produz uma obra perfeita” (Tg 1,4) e que é “feliz o homem que suporta a provação” (Tg 1,12). Quando se abraça as cruzes que Deus manda, elas ficam mais leves, diz Santa Teresa... “Tome a sua cruz, a cada dia, e siga-me” (Lc 9,23), sem se lamentar, sem mau humor, sem revolta na alma, sem repugnância... Este é o caminho da conversão. É um trabalho diário... até a santificação.
Os santos são unânimes em afirmar que não se pode fazer nada melhor para Deus do que "sofrer com paciência todas as amarguras da vida". São Paulo expressou isto dizendo:
“Completo na minha carne o que falta à paixão de Cristo, pelo seu corpo , que é a Igreja” (Col. 1,24). "Nós somos o Corpo de Cristo, a Igreja" (1Cor 12,27), e este seu Corpo também precisa passar pela paixão para entrar na glória, assim como Jesus. Isto vale mais para a nossa conversão do que todos os exercícios espirituais, diz Santo Afonso. É o remédio pelo qual Deus destrói em nós as más inclinações interiores e exteriores, conseqüência da corrupção do pecado, e nos conduz à perfeita conversão.
Contudo, é preciso ficar claro que este caminho de "renúncia a si mesmo" e de abnegação, não é um caminho de tristeza e frustração, como alguns podem pensar, não. Ao contrário, é um caminho de paz e felicidade, alegria e liberdade. O maior carrasco de cada um de nós é o nosso próprio Eu, cheio de más inclinações e de vontades. Educar o próprio Eu, colocá-lo no devido lugar, é viver verdadeiramente como homem, segundo a vontade de Deus, e não como um farrapo humano que vive se arrastando pela vida, dominado pelos prazeres e pelas más inclinações. Esta ascese cristã não quer dizer que nos desprezaremos, ou que enterraremos os nossos talentos; ao contrário, os desenvolveremos ao máximo das suas potencialidades, não porém, para satisfazer o nosso egoísmo, mas para colocá-los mais e melhor a serviço de Deus e dos irmãos.
Prof. Felipe Aquino
Recolha de António Ferreira